Mães Paralelas
Tomás Gimenes
Mães Paralelas, o mais recente filme de Pedro Almodóvar, é a história de Janis Martinez Montero, interpretada por Penélope Cruz, que tem um caso com Arturo, um arqueólogo casado; e Ana Manso Ferreras, interpretada por Milena Smit, uma adolescente que mora com a mãe atriz. Ambas as mulheres engravidam e estão prestes a dar à luz no mesmo dia, quando se encontram pela primeira vez.
Como o título indica, o filme segue os paralelos entre suas vidas, alternando entre as perspectivas das personagens, e usando técnicas similares de filmagem para ambas enquanto seguem suas rotinas. A maternidade torna-se essa linha do destino, que une as duas mulheres de maneira direta e indireta.
Todos os “Almodovarismos” tradicionais estão lá; desde elementos técnicos, como seu forte uso de paletas de cores, até elementos narrativos como a suavidade e vulnerabilidade com que retrata relações complicadas. Essas marcas registradas têm um uso intencional no filme, que por algum motivo, é mais notável do que em alguns de seus filmes anteriores. A cena em que Arturo conhece sua filha e de Janis pela primeira vez acontece no apartamento dela, caracterizado por um forte uso de luz e cores quentes, e mostra um belo momento de conexão e intimidade para o casal. É possível ver um contraste dessa cena com a primeira cena no apartamento de Arturo, com forte uso de cinza e preto e iluminação mínima, onde vemos pela primeira vez os conflitos emocionais entre os dois.
Sem entrar muito em spoilers, a forma como Almodóvar cria uma tensão romântica ainda é incomparável. À medida que os personagens ficam mais abertos e vulneráveis um com o outro, a distância física entre eles também diminui, e culmina em uma das melhores cenas acompanhada com uma música de Janis Joplin já filmada.
Mesmo personagens e subtramas que não necessariamente têm tanto impacto no enredo têm uma profunda implicação com os temas e contribuem para a construção do mundo criado. A mãe de Ana, Teresa, tem sua própria história explorada no filme, e seu relacionamento com Ana nos traz um vislumbre de alguns dos aspectos mais complexos da maternidade.
Uma das tramas do filme envolve o desejo de Janis de escavar uma vala comum em sua aldeia natal, o que aborda os temas de ancestralidade, e o peso de desvelar verdades dolorosas, às vezes desconfortáveis.
“Mães Paralelas” é uma experiência imperdível para os fãs de Almodóvar e de cinema em geral. Um filme cheio de emoção e tensão, tão instigante e provocante quanto belo. Alguns destaques do filme são a trilha sonora de Alberto Iglesias e as atuações de Penélope Cruz e Milena Smit.
O filme recebeu indicações para o prêmio de melhor filme internacional no Oscar, no Independent Spirit Awards e no BAFTA. A performance de Penélope Cruz e a trilha de Iglesias também foram indicados ao Oscar.
Nota: 4,0.
Mães Paralelas, o mais recente filme de Pedro Almodóvar, é a história de Janis Martinez Montero, interpretada por Penélope Cruz, que tem um caso com Arturo, um arqueólogo casado; e Ana Manso Ferreras, interpretada por Milena Smit, uma adolescente que mora com a mãe atriz. Ambas as mulheres engravidam e estão prestes a dar à luz no mesmo dia, quando se encontram pela primeira vez.
Como o título indica, o filme segue os paralelos entre suas vidas, alternando entre as perspectivas das personagens, e usando técnicas similares de filmagem para ambas enquanto seguem suas rotinas. A maternidade torna-se essa linha do destino, que une as duas mulheres de maneira direta e indireta.
Todos os “Almodovarismos” tradicionais estão lá; desde elementos técnicos, como seu forte uso de paletas de cores, até elementos narrativos como a suavidade e vulnerabilidade com que retrata relações complicadas. Essas marcas registradas têm um uso intencional no filme, que por algum motivo, é mais notável do que em alguns de seus filmes anteriores. A cena em que Arturo conhece sua filha e de Janis pela primeira vez acontece no apartamento dela, caracterizado por um forte uso de luz e cores quentes, e mostra um belo momento de conexão e intimidade para o casal. É possível ver um contraste dessa cena com a primeira cena no apartamento de Arturo, com forte uso de cinza e preto e iluminação mínima, onde vemos pela primeira vez os conflitos emocionais entre os dois.
Sem entrar muito em spoilers, a forma como Almodóvar cria uma tensão romântica ainda é incomparável. À medida que os personagens ficam mais abertos e vulneráveis um com o outro, a distância física entre eles também diminui, e culmina em uma das melhores cenas acompanhada com uma música de Janis Joplin já filmada.
Mesmo personagens e subtramas que não necessariamente têm tanto impacto no enredo têm uma profunda implicação com os temas e contribuem para a construção do mundo criado. A mãe de Ana, Teresa, tem sua própria história explorada no filme, e seu relacionamento com Ana nos traz um vislumbre de alguns dos aspectos mais complexos da maternidade.
Uma das tramas do filme envolve o desejo de Janis de escavar uma vala comum em sua aldeia natal, o que aborda os temas de ancestralidade, e o peso de desvelar verdades dolorosas, às vezes desconfortáveis.
“Mães Paralelas” é uma experiência imperdível para os fãs de Almodóvar e de cinema em geral. Um filme cheio de emoção e tensão, tão instigante e provocante quanto belo. Alguns destaques do filme são a trilha sonora de Alberto Iglesias e as atuações de Penélope Cruz e Milena Smit.
O filme recebeu indicações para o prêmio de melhor filme internacional no Oscar, no Independent Spirit Awards e no BAFTA. A performance de Penélope Cruz e a trilha de Iglesias também foram indicados ao Oscar.
Nota: 4,0.
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