Superman - Entre a Foice e o Martelo
Tomás Gimenes
Em “Superman: Entre a Foice e o Martelo”, o roteirista Mark Millar, junto com um brilhante grupo de artistas, estabelece uma das premissas mais audaciosas já colocadas em uma história em quadrinhos: e se, em vez de ter sido criado por um doce casal do Kansas, o ícone americano Superman tivesse sido criado na União Soviética pelo próprio Joseph Stalin?
Semelhante a “Reino do Amanhã”, “Entre a Foice e o Martelo” se passa em uma realidade alternativa, que coloca esses personagens em um cenário realista em que eles são confrontados com questões complexas.
O foco principal da história é a disputa entre Superman e Lex Luthor, que se torna uma parábola para a Guerra Fria como um todo. Superman está dividido entre não querer ser o sucessor de Stalin, e ter de assumir a responsabilidade de ajudar seu povo e o estado que o criou. Quando Lex Luthor é recrutado pelo governo para deter a ameaça do Superman, ele começa a ver em sua derrota a conquista de sua vida, que irá representar sua determinação e inteligência.
O que faz a história funcionar é o quão naturalmente esses personagens se encaixam nesse cenário. Eles nunca estão muito distantes do que conhecemos e passamos a entender sobre eles. Cada ação que o Superman toma, não importa quão equivocada possa ser, é motivada por sua crença genuína de que suas intenções são as corretas, enquanto cada ação que Luthor toma é motivada por seu ego e arrogância.
É natural que a história culmine com a derrota da URSS, mas esse final não parece forçado, porque faz parte da progressão natural dos personagens. Superman reconhece o erro de seus caminhos e decide se sacrificar por um bem maior.
É divertido ver como Mark Millar retrata as interações dos personagens da DC com figuras do mundo real, como a cena em que Joseph Stalin flerta com a rainha Hipólita (que momento nos quadrinhos). As formas criativas com que os personagens usam suas habilidades também formam momentos de destaque na história, como a cena em que Superman lê todos os livros de medicina do mundo em minutos para chegar a um diagnóstico para Stalin, ou ver Lex Luthor jogar xadrez com várias pessoas ao mesmo tempo.
Outros personagens famosos da DC são reimaginados para integrar a história, como Batman, que nesta versão teve seus pais assassinados por Stalin por serem propagandistas Anti-Superman, o que o coloca em conflito direto com o homem de aço. Hal Jordan também recebe uma releitura interessante, como um soldado na Malásia, completamente marcado pela guerra, que é persuadido por Luthor a se tornar o Lanterna Verde e liderar uma tropa contra o Superman.
Mark Millar é um grande fã do Superman (curiosidade: ele tem o gato do filme original do Richard Donner empalhado em sua casa), e isso é palpável neste quadrinho. Millar consegue contar uma história sobre o Superman que confronta a ética dos personagens sem deixar de ser fiel à sua essência e, ao mesmo tempo, retrata uma história sobre conflitos políticos que consegue ser mais complexa do que “Lado Bom vs Lado Ruim”, e em vez disso foca nas consequências da busca por poder e controle.
Nota: 4,5.
Em “Superman: Entre a Foice e o Martelo”, o roteirista Mark Millar, junto com um brilhante grupo de artistas, estabelece uma das premissas mais audaciosas já colocadas em uma história em quadrinhos: e se, em vez de ter sido criado por um doce casal do Kansas, o ícone americano Superman tivesse sido criado na União Soviética pelo próprio Joseph Stalin?
Semelhante a “Reino do Amanhã”, “Entre a Foice e o Martelo” se passa em uma realidade alternativa, que coloca esses personagens em um cenário realista em que eles são confrontados com questões complexas.
O foco principal da história é a disputa entre Superman e Lex Luthor, que se torna uma parábola para a Guerra Fria como um todo. Superman está dividido entre não querer ser o sucessor de Stalin, e ter de assumir a responsabilidade de ajudar seu povo e o estado que o criou. Quando Lex Luthor é recrutado pelo governo para deter a ameaça do Superman, ele começa a ver em sua derrota a conquista de sua vida, que irá representar sua determinação e inteligência.
O que faz a história funcionar é o quão naturalmente esses personagens se encaixam nesse cenário. Eles nunca estão muito distantes do que conhecemos e passamos a entender sobre eles. Cada ação que o Superman toma, não importa quão equivocada possa ser, é motivada por sua crença genuína de que suas intenções são as corretas, enquanto cada ação que Luthor toma é motivada por seu ego e arrogância.
É natural que a história culmine com a derrota da URSS, mas esse final não parece forçado, porque faz parte da progressão natural dos personagens. Superman reconhece o erro de seus caminhos e decide se sacrificar por um bem maior.
É divertido ver como Mark Millar retrata as interações dos personagens da DC com figuras do mundo real, como a cena em que Joseph Stalin flerta com a rainha Hipólita (que momento nos quadrinhos). As formas criativas com que os personagens usam suas habilidades também formam momentos de destaque na história, como a cena em que Superman lê todos os livros de medicina do mundo em minutos para chegar a um diagnóstico para Stalin, ou ver Lex Luthor jogar xadrez com várias pessoas ao mesmo tempo.
Outros personagens famosos da DC são reimaginados para integrar a história, como Batman, que nesta versão teve seus pais assassinados por Stalin por serem propagandistas Anti-Superman, o que o coloca em conflito direto com o homem de aço. Hal Jordan também recebe uma releitura interessante, como um soldado na Malásia, completamente marcado pela guerra, que é persuadido por Luthor a se tornar o Lanterna Verde e liderar uma tropa contra o Superman.
Mark Millar é um grande fã do Superman (curiosidade: ele tem o gato do filme original do Richard Donner empalhado em sua casa), e isso é palpável neste quadrinho. Millar consegue contar uma história sobre o Superman que confronta a ética dos personagens sem deixar de ser fiel à sua essência e, ao mesmo tempo, retrata uma história sobre conflitos políticos que consegue ser mais complexa do que “Lado Bom vs Lado Ruim”, e em vez disso foca nas consequências da busca por poder e controle.
Nota: 4,5.
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