Stranger Things - Quarta Temporada

A quarta temporada de Stranger Things nos leva de volta a Hawkins, Indiana, no ano de 1986, enquanto nossos personagens centrais passam por fases desafiadoras em suas vidas. Will, Jonathan, Joyce e Eleven acabaram de se mudar para a Califórnia e estão lutando para se adaptar a uma nova vida. Mike, Lucas e Dustin seguem caminhos diferentes enquanto tentam se firmar no ensino médio, e Max ainda está lidando com o trauma de ter perdido seu irmão. As distâncias (literais e figurativas) entre os personagens é o que define a linha emocional da nova temporada.
A trama principal se passa em torno de nosso grupo principal em Hawkins, enquanto eles tentam ajudar o novo personagem favorito dos fãs, Eddie Munson, quando ele injustamente se torna o principal suspeito pelo assassinato de Chrissy Cunningham, uma das alunas da Hawkins High School, assassinada por uma entidade sobrenatural chamada Vecna, que não só está ligada diretamente ao passado dos personagens principais, mas também à maioria dos eventos misteriosos que assombram a cidade de Hawkins.
“Stranger Things ” sempre usou questões sociais e políticas reais dos anos 80 nos enredos, seja desaparecimento de crianças na 1ª temporada, ou o “Red Scare” na 3ª temporada, que continua nesta. A quarta temporada faz isso de uma maneira muito radical, utilizando do pânico causado pela crença de que jogos de RPG levariam a práticas satânicas, algo comum nos anos 80. Um dos principais antagonistas da série, Jason, consegue convencer a cidade de que o clube de RPG de Eddie é um culto satânico e lidera uma caçada por ele.
Além de fornecer uma versão menos “higienizada” dos anos 80 do que as versões anteriores, a equipe criativa da série parece estar menos dependente da iconografia da cultura pop dos anos 80 e mais da iconografia popularizada pelo programa, em especial os elementos relacionados ao Mundo Invertido. Um dos momentos mais emocionantes é a cena em que a câmera plana por cima de Lucas, Max, Dustin e Érica em bicicletas, e se vira ao contrário para mostrar Steve, Robin, Nancy e Eddie, também em bicicletas, na mesma posição.
Outra grande sequência acontece um pouco depois, quando os grupos conseguem abrir uma entrada para o Mundo Invertido e descobrem que essa entrada desafia as leis da física, em uma cena que contém alguns dos efeitos especiais mais criativos até agora. Desnecessário dizer, mas a fotografia e o trabalho de câmera na série continuam icônicas.
A tese de “Stranger Things 4” é sobre descobrir quem você realmente é para além de seus erros. Vecna, interpretado incrivelmente por Jamie Campbell Bower, é uma ameaça muito mais íntima do que oponentes anteriores da série. Ele explora a culpa e o trauma das vítimas para assassiná-las. O elemento visual criado para isso é fantástico, pois Vecna transforma as cicatrizes emocionais das vítimas em cicatrizes físicas.
Os arcos de Eleven e Max são sobre superar suas piores percepções de si mesmos. Lucas trabalha duro para corrigir seus próprios erros quando sente que negligenciou seus amigos. Will e Jonathan aprendem a empatizar novamente um com o outro depois de tudo o que passaram nos últimos anos.
A maior conquista dessa série, na minha opinião, que atinge seu ápice nesta temporada, são as interações dos personagens. Seja através de declarações de amor e devoção, silêncios constrangedores, confrontos, comentários sarcásticos; nunca por um segundo há dúvida que todos os personagens se importam uns com os outros e sempre irão se apoiar. Um confortante contraste com toda a tensão da trama.


Nota: 4,5.

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