She-Hulk
“Mulher - Hulk”, a nova série da Marvel é centrada na jovem advogada Jennifer Walters, prima do mundialmente famoso Bruce Banner, ou Hulk para os íntimos. Depois que eles se envolvem em um acidente de carro, ela acaba entrando em contato com o sangue infectado de seu primo e obtém poderes semelhantes aos dele.
A série segue Jennifer em uma jornada para equilibrar sua vida social e profissional como duas identidades diferentes, depois que seu alter ego se torna uma figura pública.
Essa talvez seja a série da Marvel que melhor se aproveita do formato “seriado”: ela adota um estilo sitcom, onde cada episódio é focado em uma história singular, já que a cada semana, Jennifer e suas amigas precisam lidar com um novo caso de tribunal envolvendo um personagem superpoderoso excêntrico.
A equipe criativa encabeçada por Jessica Gao se inspira em quadrinhos clássicos de criadores como John Byrne e Dan Slott, além de sitcoms como Ally McBeal, que lidam com temas semelhantes, e essa combinação funciona muito bem.
O primeiro episódio foca em Jennifer descobrindo suas novas habilidades sob a guia de Bruce, que como vimos em “Vingadores: Ultimato”, tornou-se senciente, e um só com o Hulk. Mas Jen não tem esse problema, e já é senciente desde o início, não precisando lutar com uma dupla personalidade.
Muito da tensão do episódio vem de ambos, à sua maneira, tendo que enfrentar as dificuldades, especificamente o sacrifício e a solidão, que fazem parte de ser um Hulk, o que é uma das maiores explorações da essência do personagem desde a “Era de Ultron'' de 2015.
Como Jen não enfrenta exatamente a mesma adversidade que Bruce enfrentou, ela (e talvez até o público) é levada a pensar que ser um Hulk não lhe causará nenhuma adversidade. Mas o fato é que ela enfrenta um tipo diferente de adversidade.
Jen é forçada a se expor como Mulher - Hulk para o mundo e usar seus poderes para deter a supervilã Titânia, interpretada pela incrível Jameela Jamil. Em geral, esse seria o ponto na história em que a heroína abraçaria seu novo papel e novas responsabilidades, mas somos subvertidos quando Jennifer é demitida por seu escritório de advocacia e encontra dificuldade em encontrar outro emprego devido ao seu novo status como figura pública.
Ela então é contratada pelo escritório de advocacia GLK&H para ser o rosto de sua nova divisão super-humana e lidar com casos que envolvem pessoas superpoderosas, o que exige que ela sempre se apresente como Mulher-Hulk.
É a partir desse ponto que a série realmente começa a ficar mais confortável em seu cenário de comédia. Ao longo dos episódios seguintes, Jen deve enfrentar desafios que incluem representar Wong (sim galera, Wong está na série! Alegrem-se!), que processa um ex-aluno fracassado Johnny Blaze (uma provável paródia do Chris Angel) que usa magia para fins pessoais; e defender ninguém menos que Emil Blonsky, interpretado pelo retornante Tim Roth em uma versão mais cômica do personagem, enquanto ele tenta traçar um caminho para se redimir por seus erros.
Mas claro, nem tudo pode ser só trabalho, nem mesmo para uma super advogada. Jen enfrenta muita pressão de amigos, seus pais (pressão que seu irmão caçula não parece receber tanto, aliás) e de si mesma para focar mais na sua vida pessoal. Isso é muito mais intenso quando consideramos as dificuldades de equilibrar duas identidades diferentes. Os momentos que exploram a vida amorosa de Jennifer são um ponto alto da série, retratados sempre com muito humor e empatia pela personagem. Ela passa por homens que não a valorizam o bastante como Jennifer, para homens que só parecem realmente valorizá-la como Mulher-Hulk.
Isso chega a um momento catártico quando vemos ninguém menos do que (vai ter “muito ninguém menos” nesta resenha) Matt Murdock. Charlie Cox está de volta como o vigilante favorito dos fãs. Matt e Jen se encontram pela primeira vez em lados opostos de um julgamento, que é o melhor uso do cenário do cenário de tribunal da série inteira, que eu espero que sirva de modelo para as cenas de tribunal nas próximas temporadas.
Eles se encontram novamente como suas versões heróicas em uma das sequências mais divertidas e cheias de ação da série. A forma como o relacionamento deles evolui e a química entre os dois é muito bem feita. Matt é o primeiro cara em 8 episódios a ter uma conexão com Jennifer, tanto como “Jen” quanto como Mulher - Hulk. Eles empatizam um com o outro pelas complicações de suas vidas duplas, e suas personalidades combinam de uma maneira muito bonita. Estou animado para ver onde o relacionamento deles vai seguir.
A série também coloca um holofote nos personagens coadjuvantes, que incluem a engraçada e confiável Nikki, a melhor amiga de Jen, Pug, um dos advogados da GLK&H que faz amizade com elas, e a severa, porém leal Mallory Book. Eles têm suas próprias aventuras que envolvem processar uma Asgardiana que muda de forma, que personifica Megan Thee Stallion, e descobrir e eventualmente se infiltrar em um grupo conhecido como Intelligencia, os vilões da série.
"Intelligencia" é um grupo de homens amargos, ressentidos pela Mulher -Hulk, que tem a intenção de descredibilizá-la e tomar seu poder. Eles criam e compartilham propagandas online contra ela e, em um dos atos mais realistas e cruéis já mostrados no UCM, se envolvem em “Revenge Porn” para humilhá-la. “Intelligencia” serve como uma metacrítica a um subconjunto específico de “fãs”, que são excessivamente críticos e até mesmo vis com qualquer mídia centrada em protagonistas mulheres ( você conhece esses caras, eles usam os termos “sojado” e “mary sue” sem ironia e até mesmo uma cena inofensiva de mulheres fazendo twerk pode levá-los a ter uma síncope).
É justo que uma série que já é conhecida por ser “meta”, com uma protagonista que quebra a 4ª parede, e comenta sobre os clichês do gênero de super-heróis (e do UCM especificamente), também possa usar seu tempo de duração para comentar eventos do mundo real.
O aspecto “meta” de “Mulher-Hulk” atinge seu ápice no episódio final, em que o enredo se dissolve em uma grande briga que envolve todos os principais personagens da série, até que Mulher-Hulk literalmente quebra a 4ª parede para marchar direto para a Marvel Studios para conversar com ninguém menos que o próprio Kevin “Boné” Feige (que, em uma das piadas mais engraçadas da série, é revelado ser uma inteligência artificial), e exigir uma história diferente.
Foi uma subversão interessante, embora eu estaria mentindo se dissesse que eu queria ver aquela briga rolar. Embora tenha sido divertido ver os caras da ``Intelligencia" sendo humilhados e presos, parece que a série perdeu a chance de explorar os efeitos da masculinidade tóxica e comportamento abusivo de uma maneira mais perspicaz.
O que me leva a minha principal expectativa para a 2ª temporada: que a série continue com o formato que estabeleceu, mas também se aprofunde mais nos seus personagens e temas. Dê-nos mais de Blonsky e como seus erros passados o afetam. Dê a nós um episódio inteiro de Bruce (dá pra fazer isso em uma comédia que quebra a 4ª parede sem muitos problemas) para mostrar o que está acontecendo com ele desde “Ultimato”, e como seu personagem vai seguir em frente. Mostre-nos o efeito que os lados mais tóxicos da cultura nerd, o sexismo no local de trabalho, têm nos personagens de maneira mais direta. E, finalmente, nos mostre mais das ambições de Jen como advogada, o que a motiva e como isso se relaciona com sua jornada ao super heroísmo
Minha outra expectativa é um pouco mais genérica: por favor, dê mais foco para a produção. A essa altura, a queda de qualidade que o UCM sofreu com seus efeitos visuais já virou um meme, em grande parte por causa de quantos projetos estão sendo lançados em prazos menores e como isso vem afetando os trabalhadores da indústria, o que é um sério problema, e precisa mudar.
Mas também há muito espaço para melhorias nas cenas de ação. Muitas sequências, como a luta contra Titania no primeiro episódio não têm uma sensação tangível de espaço, e a edição e o trabalho de câmera confusos apenas aumentam o problema. Além disso, falta um toque pessoal para cenas desse tipo. A velocidade com que as cenas se movem não permitem momentos fortes de caracterização, o que acrescentaria a personalidade dos personagens. Há muitas escolhas estilísticas interessantes nas cenas cômicas, e eu gostaria que o mesmo cuidado fosse colocado nas sequências de ação.
No geral, “Mulher – Hulk'' é uma série confortante. É um dos projetos do UCM que melhor se sucede em equilibrar comédia e ação, e faz um ótimo trabalho na expansão do Universo Marvel, colocando os holofotes em personagens superpoderosos menores que provavelmente não teriam a chance de brilhar de outra forma, enquanto nos dá uma perspectiva mais humana para esse universo em que seres superpoderosos coexistem entre nós.
E o que une tudo isso, um elemento que a Marvel acerta consistentemente, são as performances de todo o elenco. Ginger Gonzaga, Josh Serrara e Renee Elise Goldsberry todos arrasam, são naturalmente e consistentemente engraçados, e manejam muito bem os traços específicos de seus personagens. Mas claro, Tatiana Maslany como Jennifer Walter é a verdadeira MVP. Ela traz um nível de charme para a personagem, que é difícil não ficar investido toda vez que ela fala diretamente conosco. A maneira como Maslany incorpora tanto Jen Walters quanto Mulher-Hulk compõe o coração e alma da história
Finalmente, aqui estão alguns pensamentos finais sobre cada episódio:
EP. 1 – A única coisa que resta a dizer sobre o primeiro episódio é: apesar dos problemas que você pode ter com a produção e a abordagem da série, a sequência final do episódio acompanhada da música “Who’s That Girl” da rapper Eve, junto com o primeiro vislumbre dos créditos finais, com o incrível trabalho do artista Kagan McLeod, foi o suficiente para me convencer a maratonar 5 episódio seguidos..
EP. 2 - Tem alguns exemplos de situações pelas quais Jen passa no episódio que podem ser vistas como análogas a problemas comuns que as mulheres enfrentam no local de trabalho: não é incomum ouvir histórias de mulheres que acabam ostracizadas por falar a verdade ao poder e defender seus princípios, semelhantes ao que Jen passa quando ela é colocada na lista negra por várias empresas depois de ter exposto seus poderes para fazer a coisa certa.
Outro problema recorrente é como as mulheres são forçadas a se apresentar de uma certa forma e manter uma imagem específica, sob a orientação de um superior masculino, que é o que acontece com Jen quando é forçada a manter sua imagem de Mulher-Hulk, seja esse o desejo dela ou não.
EP. 3 – Falando da qualidade de filmagem nas cenas cômicas, o trabalho de câmera e edição usados quando Wong diz: “tenho que partir” e abre um portal no meio da sala é fenomenal!
EP. 4 - Um salve para Madyssn (é aí que o “Y” vai?) Rei! Sem dúvida a melhor parte do episódio, Madyssn rouba a cena por completo, com sua personalidade irreverente! Com certeza espero vê-la novamente, seja fazendo mais maratonas de “This is Us” com seu BFF “Wongers” ou salvando todos os heróis em “Guerras Secrretas”. Quem sabe?
5 – A sequência em que a Mulher-Hulk chama todos seus “dates” de aplicativos para testemunhar por ela é hilário e de partir o coração ao mesmo tempo. Foi bom ter mais informações sobre a personagem de Mallory e ver ela e Jen se aproximando.
6 – Jameela Jamil está basicamente interpretando a Tahani com superpoderes e honestamente, eu adorei.
7 - Um salve para Blonsky, Man-Bull, El Águila, Porcupine, Saracen e Wrecker. Que grupo adorável e leal de rapazes.
8 – No final do episódio, Jen começa a temer se o episódio vai terminar com ela sendo “congelada”. Esta é uma referência ao clichê da “mulher na geladeira”, em que uma personagem feminina é morta, simplesmente pra servir de motivação para o arco do herói masculino. Essa é uma referência aos quadrinhos do Lanterna Verde dos anos 90, em que a namorada de Kyle Rainer é presa na geladeira por um dos inimigos do herói. Existe um site com o mesmo nome, dedicado a acompanhar todos os exemplos do clichê.
9 - Nikki e Pug brilham muito neste episódio; Nikki monta um plano mestre para Pug se infiltrar dentro da “Intelligencia”, e Pug se esforça para ser tão asqueroso quanto eles. O fato de Nikki ter que orientá-lo através de um fone de ouvido é incrível.
E aquela homenagem ao programa de TV dos anos 60… *smack* chef’s kiss.
A série segue Jennifer em uma jornada para equilibrar sua vida social e profissional como duas identidades diferentes, depois que seu alter ego se torna uma figura pública.
Essa talvez seja a série da Marvel que melhor se aproveita do formato “seriado”: ela adota um estilo sitcom, onde cada episódio é focado em uma história singular, já que a cada semana, Jennifer e suas amigas precisam lidar com um novo caso de tribunal envolvendo um personagem superpoderoso excêntrico.
A equipe criativa encabeçada por Jessica Gao se inspira em quadrinhos clássicos de criadores como John Byrne e Dan Slott, além de sitcoms como Ally McBeal, que lidam com temas semelhantes, e essa combinação funciona muito bem.
O primeiro episódio foca em Jennifer descobrindo suas novas habilidades sob a guia de Bruce, que como vimos em “Vingadores: Ultimato”, tornou-se senciente, e um só com o Hulk. Mas Jen não tem esse problema, e já é senciente desde o início, não precisando lutar com uma dupla personalidade.
Muito da tensão do episódio vem de ambos, à sua maneira, tendo que enfrentar as dificuldades, especificamente o sacrifício e a solidão, que fazem parte de ser um Hulk, o que é uma das maiores explorações da essência do personagem desde a “Era de Ultron'' de 2015.
Como Jen não enfrenta exatamente a mesma adversidade que Bruce enfrentou, ela (e talvez até o público) é levada a pensar que ser um Hulk não lhe causará nenhuma adversidade. Mas o fato é que ela enfrenta um tipo diferente de adversidade.
Jen é forçada a se expor como Mulher - Hulk para o mundo e usar seus poderes para deter a supervilã Titânia, interpretada pela incrível Jameela Jamil. Em geral, esse seria o ponto na história em que a heroína abraçaria seu novo papel e novas responsabilidades, mas somos subvertidos quando Jennifer é demitida por seu escritório de advocacia e encontra dificuldade em encontrar outro emprego devido ao seu novo status como figura pública.
Ela então é contratada pelo escritório de advocacia GLK&H para ser o rosto de sua nova divisão super-humana e lidar com casos que envolvem pessoas superpoderosas, o que exige que ela sempre se apresente como Mulher-Hulk.
É a partir desse ponto que a série realmente começa a ficar mais confortável em seu cenário de comédia. Ao longo dos episódios seguintes, Jen deve enfrentar desafios que incluem representar Wong (sim galera, Wong está na série! Alegrem-se!), que processa um ex-aluno fracassado Johnny Blaze (uma provável paródia do Chris Angel) que usa magia para fins pessoais; e defender ninguém menos que Emil Blonsky, interpretado pelo retornante Tim Roth em uma versão mais cômica do personagem, enquanto ele tenta traçar um caminho para se redimir por seus erros.
Mas claro, nem tudo pode ser só trabalho, nem mesmo para uma super advogada. Jen enfrenta muita pressão de amigos, seus pais (pressão que seu irmão caçula não parece receber tanto, aliás) e de si mesma para focar mais na sua vida pessoal. Isso é muito mais intenso quando consideramos as dificuldades de equilibrar duas identidades diferentes. Os momentos que exploram a vida amorosa de Jennifer são um ponto alto da série, retratados sempre com muito humor e empatia pela personagem. Ela passa por homens que não a valorizam o bastante como Jennifer, para homens que só parecem realmente valorizá-la como Mulher-Hulk.
Isso chega a um momento catártico quando vemos ninguém menos do que (vai ter “muito ninguém menos” nesta resenha) Matt Murdock. Charlie Cox está de volta como o vigilante favorito dos fãs. Matt e Jen se encontram pela primeira vez em lados opostos de um julgamento, que é o melhor uso do cenário do cenário de tribunal da série inteira, que eu espero que sirva de modelo para as cenas de tribunal nas próximas temporadas.
Eles se encontram novamente como suas versões heróicas em uma das sequências mais divertidas e cheias de ação da série. A forma como o relacionamento deles evolui e a química entre os dois é muito bem feita. Matt é o primeiro cara em 8 episódios a ter uma conexão com Jennifer, tanto como “Jen” quanto como Mulher - Hulk. Eles empatizam um com o outro pelas complicações de suas vidas duplas, e suas personalidades combinam de uma maneira muito bonita. Estou animado para ver onde o relacionamento deles vai seguir.
A série também coloca um holofote nos personagens coadjuvantes, que incluem a engraçada e confiável Nikki, a melhor amiga de Jen, Pug, um dos advogados da GLK&H que faz amizade com elas, e a severa, porém leal Mallory Book. Eles têm suas próprias aventuras que envolvem processar uma Asgardiana que muda de forma, que personifica Megan Thee Stallion, e descobrir e eventualmente se infiltrar em um grupo conhecido como Intelligencia, os vilões da série.
"Intelligencia" é um grupo de homens amargos, ressentidos pela Mulher -Hulk, que tem a intenção de descredibilizá-la e tomar seu poder. Eles criam e compartilham propagandas online contra ela e, em um dos atos mais realistas e cruéis já mostrados no UCM, se envolvem em “Revenge Porn” para humilhá-la. “Intelligencia” serve como uma metacrítica a um subconjunto específico de “fãs”, que são excessivamente críticos e até mesmo vis com qualquer mídia centrada em protagonistas mulheres ( você conhece esses caras, eles usam os termos “sojado” e “mary sue” sem ironia e até mesmo uma cena inofensiva de mulheres fazendo twerk pode levá-los a ter uma síncope).
É justo que uma série que já é conhecida por ser “meta”, com uma protagonista que quebra a 4ª parede, e comenta sobre os clichês do gênero de super-heróis (e do UCM especificamente), também possa usar seu tempo de duração para comentar eventos do mundo real.
O aspecto “meta” de “Mulher-Hulk” atinge seu ápice no episódio final, em que o enredo se dissolve em uma grande briga que envolve todos os principais personagens da série, até que Mulher-Hulk literalmente quebra a 4ª parede para marchar direto para a Marvel Studios para conversar com ninguém menos que o próprio Kevin “Boné” Feige (que, em uma das piadas mais engraçadas da série, é revelado ser uma inteligência artificial), e exigir uma história diferente.
Foi uma subversão interessante, embora eu estaria mentindo se dissesse que eu queria ver aquela briga rolar. Embora tenha sido divertido ver os caras da ``Intelligencia" sendo humilhados e presos, parece que a série perdeu a chance de explorar os efeitos da masculinidade tóxica e comportamento abusivo de uma maneira mais perspicaz.
O que me leva a minha principal expectativa para a 2ª temporada: que a série continue com o formato que estabeleceu, mas também se aprofunde mais nos seus personagens e temas. Dê-nos mais de Blonsky e como seus erros passados o afetam. Dê a nós um episódio inteiro de Bruce (dá pra fazer isso em uma comédia que quebra a 4ª parede sem muitos problemas) para mostrar o que está acontecendo com ele desde “Ultimato”, e como seu personagem vai seguir em frente. Mostre-nos o efeito que os lados mais tóxicos da cultura nerd, o sexismo no local de trabalho, têm nos personagens de maneira mais direta. E, finalmente, nos mostre mais das ambições de Jen como advogada, o que a motiva e como isso se relaciona com sua jornada ao super heroísmo
Minha outra expectativa é um pouco mais genérica: por favor, dê mais foco para a produção. A essa altura, a queda de qualidade que o UCM sofreu com seus efeitos visuais já virou um meme, em grande parte por causa de quantos projetos estão sendo lançados em prazos menores e como isso vem afetando os trabalhadores da indústria, o que é um sério problema, e precisa mudar.
Mas também há muito espaço para melhorias nas cenas de ação. Muitas sequências, como a luta contra Titania no primeiro episódio não têm uma sensação tangível de espaço, e a edição e o trabalho de câmera confusos apenas aumentam o problema. Além disso, falta um toque pessoal para cenas desse tipo. A velocidade com que as cenas se movem não permitem momentos fortes de caracterização, o que acrescentaria a personalidade dos personagens. Há muitas escolhas estilísticas interessantes nas cenas cômicas, e eu gostaria que o mesmo cuidado fosse colocado nas sequências de ação.
No geral, “Mulher – Hulk'' é uma série confortante. É um dos projetos do UCM que melhor se sucede em equilibrar comédia e ação, e faz um ótimo trabalho na expansão do Universo Marvel, colocando os holofotes em personagens superpoderosos menores que provavelmente não teriam a chance de brilhar de outra forma, enquanto nos dá uma perspectiva mais humana para esse universo em que seres superpoderosos coexistem entre nós.
E o que une tudo isso, um elemento que a Marvel acerta consistentemente, são as performances de todo o elenco. Ginger Gonzaga, Josh Serrara e Renee Elise Goldsberry todos arrasam, são naturalmente e consistentemente engraçados, e manejam muito bem os traços específicos de seus personagens. Mas claro, Tatiana Maslany como Jennifer Walter é a verdadeira MVP. Ela traz um nível de charme para a personagem, que é difícil não ficar investido toda vez que ela fala diretamente conosco. A maneira como Maslany incorpora tanto Jen Walters quanto Mulher-Hulk compõe o coração e alma da história
Finalmente, aqui estão alguns pensamentos finais sobre cada episódio:
EP. 1 – A única coisa que resta a dizer sobre o primeiro episódio é: apesar dos problemas que você pode ter com a produção e a abordagem da série, a sequência final do episódio acompanhada da música “Who’s That Girl” da rapper Eve, junto com o primeiro vislumbre dos créditos finais, com o incrível trabalho do artista Kagan McLeod, foi o suficiente para me convencer a maratonar 5 episódio seguidos..
EP. 2 - Tem alguns exemplos de situações pelas quais Jen passa no episódio que podem ser vistas como análogas a problemas comuns que as mulheres enfrentam no local de trabalho: não é incomum ouvir histórias de mulheres que acabam ostracizadas por falar a verdade ao poder e defender seus princípios, semelhantes ao que Jen passa quando ela é colocada na lista negra por várias empresas depois de ter exposto seus poderes para fazer a coisa certa.
Outro problema recorrente é como as mulheres são forçadas a se apresentar de uma certa forma e manter uma imagem específica, sob a orientação de um superior masculino, que é o que acontece com Jen quando é forçada a manter sua imagem de Mulher-Hulk, seja esse o desejo dela ou não.
EP. 3 – Falando da qualidade de filmagem nas cenas cômicas, o trabalho de câmera e edição usados quando Wong diz: “tenho que partir” e abre um portal no meio da sala é fenomenal!
EP. 4 - Um salve para Madyssn (é aí que o “Y” vai?) Rei! Sem dúvida a melhor parte do episódio, Madyssn rouba a cena por completo, com sua personalidade irreverente! Com certeza espero vê-la novamente, seja fazendo mais maratonas de “This is Us” com seu BFF “Wongers” ou salvando todos os heróis em “Guerras Secrretas”. Quem sabe?
5 – A sequência em que a Mulher-Hulk chama todos seus “dates” de aplicativos para testemunhar por ela é hilário e de partir o coração ao mesmo tempo. Foi bom ter mais informações sobre a personagem de Mallory e ver ela e Jen se aproximando.
6 – Jameela Jamil está basicamente interpretando a Tahani com superpoderes e honestamente, eu adorei.
7 - Um salve para Blonsky, Man-Bull, El Águila, Porcupine, Saracen e Wrecker. Que grupo adorável e leal de rapazes.
8 – No final do episódio, Jen começa a temer se o episódio vai terminar com ela sendo “congelada”. Esta é uma referência ao clichê da “mulher na geladeira”, em que uma personagem feminina é morta, simplesmente pra servir de motivação para o arco do herói masculino. Essa é uma referência aos quadrinhos do Lanterna Verde dos anos 90, em que a namorada de Kyle Rainer é presa na geladeira por um dos inimigos do herói. Existe um site com o mesmo nome, dedicado a acompanhar todos os exemplos do clichê.
9 - Nikki e Pug brilham muito neste episódio; Nikki monta um plano mestre para Pug se infiltrar dentro da “Intelligencia”, e Pug se esforça para ser tão asqueroso quanto eles. O fato de Nikki ter que orientá-lo através de um fone de ouvido é incrível.
E aquela homenagem ao programa de TV dos anos 60… *smack* chef’s kiss.
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