A Fera do Mar
A Fera do Mar conta a história de uma menina, Maisie, que entra escondida em um navio pertencente a um lendário caçador de monstros marinhos. Na jornada, ela se aproxima de um dos caçadores, Jacob Holland, onde juntos, fazem uma jornada épica por águas desconhecidas.
A animação conta com direção e roteiro de Chris Williams, que também foi responsável por Big Hero 6, Bolt: Supercão, entre outros. A Netflix deu carta branca para ele ser responsável por alavancar o setor de animação da empresa, pois não possuía em seu catálogo tantas obras autorais de grande porte.
O longa é bem coeso em passar a mensagem da crítica social às crianças e também aos pais, pois vemos diversos temas que devem ser discutidos no âmbito familiar, coisas que parecem que faltam em muitos lares.
A trama é ambientada no século XVII, o que torna a produção num ambiente mais histórico e como de praxe estas obras geralmente são povoadas apenas por personagens brancos. Felizmente, isso não acontece, pois temos a diversidade presente e que se torna mais fiel, como a própria tripulação do navio, composta por uma mistura de etnias e gêneros.
Outro fator importante é que em sua maioria os filmes infantis abordam aspectos adultos de forma que a audiência mais jovem também possa entender. Aqui temos os tripulantes do O Inevitável, amantes da vida boêmia, fato que foi inserido muito sensível e natural.
Outro fator importantíssimo que foi abordado de forma leve e bem natural foi o fato do Capitão Crow ter desenvolvido o estresse pós-traumático, fato que as crianças não devem perceber, mas que os adultos sim, e isso pode ter uma troca de ideias com os pequenos, pois é um assunto muito importante atualmente.
O fator histórico também é representado pelos livros que Maisie leva consigo, onde ele retrata todas as batalhas que os monstros começaram contra os humanos, mas que vemos que foi totalmente ao contrário, pois foram os humanos que iniciaram as batalhas. Essa é umas das mensagens mais importantes do filme, pois apresenta a ideia de transformação e mudança, pois como tem aquele velho ditado, "A história é escrita pelos vencedores", pois os monarcas do reino fazem exatamente isso.
O mais importante é a mensagem de Maisie, que ela interrompe essa batalha de uma vez por todas, de humanos contra os monstros e passa a mensagem à população de que a história pode mudar.
Infelizmente nem tudo são flores, tendo aspectos negativos, principalmente em relação ao roteiro apresentado, onde existem muitas pontas soltas. A começar pelo déjà vu de roteiro, muito parecido com o filme "Como Treinar Seu Dragão", pois ele transporta a história do céu para os mares. Um jovem protagonista que quebra uma cultura baseada na violência entre humanos e criaturas, na qual faz amizade com esta e descobre que a violência não é nem um pouco necessária.
O pior mesmo, sendo o pecado capital, foi a construção de um universo náutico rico e cheio de detalhes fascinantes, e depois simplesmente escolher não explorá-lo. Como a barganha realizada pelo Capitão Crow que acaba nunca cobrando o seu preço, e as empolgantes possibilidades de uma ilha toda povoada pelos monstros marinhos do filme são minadas apenas pela aparição de um novo amigo e uma cena de ação.
Outro ponto é o filme ser feito através de episódios, onde cada episódio tem seu 'problema' que deve ser resolvido ao fim, mas se torna frustrante por não provê-las.
Por fim, devemos lembrar que toda a animação está maravilhosamente bem feita, parecendo até mesmo um live action, um bom lançamento para a animação do ano de 2022 e com muitas questões que podemos conversar nas rodas da família.
Nota: 3,5.

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