Glass Onion


“Glass Onion” é uma masterclass em como fazer uma sequência, porque amplifica tudo que fez o filme original funcionar, e traz esses elementos a novos níveis: Benoit Blanc retorna ao trabalho em um novo caso de assassinato envolvendo um novo grupo de personagens odiosamente hilariantes, mais uma vez envolvidos em um jogo de ganância e corrupção, na qual ele favorecerá os justos, ou assim esperamos. Rian Johnson traz novamente sua marca de comentário social espirituoso, e ainda mais reviravoltas do que Entre Facas e Segredos”, o que ajuda se você está basicamente tentando subverter tudo que foi estabelecido naquele filme, o que " Glass Onion” faz muito bem.
A maneira como esse filme subverte o original é transformando-o literalmente em um jogo de mistério, cujo anfitrião é o bilionário excêntrico (pleonasmo) Miles Bron, que recebe todos seus “amigos”, celebridades e figuras públicas cujas carreiras ele ajudou a alavancar, em sua ilha particular. Além de ter que lidar com o mistério de quem o convidou para a ilha em primeiro lugar (novamente), as férias dos sonhos cheias de pesadelos de Blanc em dão outra reviravolta (eu mencionei que isso está cheio de reviravoltas?) quando um assassinato de verdade ocorre e agora Blanc deve descobrir o que está acontecendo.
E enquanto que "Entre Facas e Segredos” opta por uma resolução mais cômica, em que todos os personagens que gostamos de desprezar recebem a devida punição, a resolução de "Glass Onion" é um pouco mais complicada; as habilidades impecáveis de Blanc como detetive e a força da lei não necessariamente resolve todos os problemas, e só quando os personagens perdem todas a chances de se beneficiarem com a situação, que o mal tem a chance de ser vencido no final.
O filme se passa durante a pandemia, interessante decisão do diretor Rian Johnson, porque abre diversas possibilidades de ampliar a marca de sátira e comentário social de Johnson. O filme serve como uma crítica à corrupção da indústria farmacêutica, assim como satiriza o comportamento estereotipado do cidadão negacionista médio.
Assim como seu antecessor, "Glass Onion" apresenta um elenco repleto de estrelas em papéis que mostram o melhor de suas habilidades cômicas, cujas performances são ancoradas por Benoit Blanc de Craig, e por Janelle Monae, , em uma performance que certamente surpreenderá e encantará espectadores. *
Johnson prova mais uma vez que o gênero de mistério do assassinato (o famoso “who done it” em cinefilês), mesmo sendo um ato difícil de realizar, uma vez que é feito, funciona lindamente, porque traz um desconforto familiar. Não só por ser uma sequência, ou porque satiriza questões sociais da vida real, mas porque te mantém constantemente investido girando a premissa de cabeça para baixo. Se você é fã das "Entre Facas e Segredos " ´é praticamente garantido que você irá de divertir com “Glass Onion, dependendo claro de como você se sente sobre um final um pouco mais sutil que se sustenta por um humor mais sombrio, em vez de um alívio cômico.
*Falando em surpresa e encanto, se você ainda não testemunhou Daniel Craig tocando entre nós com Stephen Sondheim, Angela Lansbury, Natasha Lyonne e Kareem Abdul Jabbar, você está perdendo.

Nota: 4,0.

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