Homem Formiga e a Vespa: Quantumania


 
De acordo com alguns críticos, “Homem-Formiga” é a franquia da Marvel que mais se assemelha a uma clássica comédia familiar, do tipo pra se assistir na “Sessão da Tarde”. Sendo esse o caso, “Homem-Formiga e Vespa: Quantumania” entra de cabeça nesse conceito. É uma história de aventura no estilo “Jumanji”, em que todos os nossos favoritos; Scott, Hope, Hank, Janet e uma agora adolescente Cassie Lang; são acidentalmente transportados para o Reino Quântico, um mundo paralelo repleto de diferentes raças, criaturas e civilizações, e embarcam em uma jornada que os levará diretamente a Kang, um conquistador de mundos tão poderoso que “Conquistador” está no seu nome.
Ao ajudar o povo do Reino Quântico a derrotar Kang e recuperar suas terras, Scott Lang tem a oportunidade de provar seu valor para Cassie, o que marca o arco para o seu personagem. Enquanto todo o resto da família usam sua inteligência para mudar o status quo, como Hope que usa as partículas Pym para resolver problemas sociais, e Cassie se envolvendo em protestos pacíficos, Scott parece não saber realmente qual será seu próximo passo depois de ajudar os Vingadores a salvar o mundo.
No papel, isso parece um cenário interessantíssimo para um personagem: descobrir um novo nível de heroísmo ao ser inspirado pelo seu filho, algo que parece saído direto de um filme do Tim Allen dos anos 90, (falando de “Sessão da Tarde”). No entanto, a execução poderia ter sido melhor em alguns aspectos: as ações altruístas de Hope e Cassie são apenas aludidas e nunca suficientemente exploradas, o que dá a impressão de que são mencionadas apenas como uma resposta às críticas de que os filmes da Marvel nunca realmente desafiam o status quo.
Além disso, Scott é muito passivo na construção desse arco: seu desenvolvimento, e consequentemente a narrativa, poderia ter sido mais impactante se Scott sentisse esse conflito interno por vontade própria, em vez de ser constantemente repreendido por sua família sobre as formas com que ele precisa mudar.
Basicamente, “Homem-Formiga e Vespa: Quantumania” é diversão padrão da Marvel; tem um roteiro bem ritmado e atuações divertidas. A comédia do filme oscila entre piadas bem escritas e cronometradas, e algumas um pouco forçadas que se arrastam sem necessidade. Devido ao cenário do filme, o design das raças alienígenas, os figurinos e os dispositivos tecnológicos são um pouco mais imaginativos do que o filme padrão do UCM. Dá para ver que os cineastas tiveram certa liberdade para serem mais “quadrinescos” e assumir mais riscos com a construção do mundo, embora não esteja realmente no mesmo nível de alguns dos cineastas de ficção científica e fantasia mais imaginativos que trabalham hoje, como as irmãs Wachowski, Guillermo Del Toro e James Wan.
O destaque do filme são os novos integrantes do elenco: todos nós amamos Abby Ryder Fortson como Cassie nos dois primeiros filmes, mas acreditem quando digo que Kathryn Newton traz muito vigor e humor a esta versão do personagem. Jonathan Majors, claro, é o destaque do filme e consegue ser ameaçador e engajante como Kang. E, claro, não podemos esquecer Bill Murray, que é sempre agradável de assistir, como Lord Krylar.
No geral, o novo filme do Homem-Formiga não carrega o mesmo brilho dos dois primeiros filmes, mas é, no mínimo, um passeio agradável com alguns dos personagens mais divertidos, e por vezes subestimados, do UCM. No mínimo, este filme faz duas escolhas fortes que funcionam muito bem: a decisão de introduzir o próximo grande vilão da franquia em um filme do Homem-Formiga é uma escolha inesperada e ousada. Além disso, a maneira como a história do vilão é interligada com a de Janet Van Dyne é bem-feita. Janet aparece por brevíssimos momentos nos filmes anteriores, e agora finalmente tem a chance de brilhar. Não só podemos vê-la enfrentando seu passado, mas este filme dá muitas nuances à sua personagem (Deus abençoe Michelle Pfeiffer).

Nota: 3,5.

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