Nada de Novo no Front



O longa conta a trajetória de Paul Bäumer, um dos vários adolescentes ansiosos para vivenciar o serviço do exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial, onde foram ludibriados com o patriotismo e as promessas de grandeza e honra pelos serviços ao Kaiser e à nação. No entanto, chegando ao campo de batalha ele se depara com a dura realidade das trincheiras quando, ao sobreviver ao seu primeiro bombardeio inimigo, encontra o corpo de um dos seus amigos de infância.
Depois Paul tem de superar a batalha a todo custo, vivendo dia após dia, enquanto vivencia os horrores da guerra. Enquanto isso temos nos bastidores do conflito, Matthias Erzberber, um deputado do Partido do Centro alemão, que negocia junto do alto escalão de ambos os lados, as tratativas que antecederam a assinatura do Armistício de Compiègne, o cessar fogo que levará ao fim da Primeira Guerra Mundial.
O filme é dirigido por Edward Berger, diretor alemão, que tem como Jack (2014) um dos seus principais projetos. Neste ele decide dar um enfoque em ambientar a guerra, tanto espacial e psicologicamente.
Quando ele parte para o quesito espacial, vemos a tão falada guerra de trincheiras, que eram buracos cavados entre dois lados onde os soldados ficavam dentro, atirando um contra o outro. Para avançar eles demoravam cerca de inúmeros dias para andar, menos que um metro. O ambiente é horroroso, pois é facilmente inundado, cheio de lama e terra e que tinha inúmeras doenças, pois tinha ratos e outras doenças.
Quando falamos sobre o quesito psicológico temos inúmeros outros aspectos, como a romantização da guerra por parte dos soldados que estão chegando à batalha, na qual depois de presenciar os efeitos dela, veem que tudo é ruim e nada glamuroso.
O diretor também mostra a dualidade sobre a guerra, pois mostra toda a questão da divisão entre os soldados e o alto escalão, desde a visão sobre a guerra e até sobre o tipo de tratamento que recebem. A visão que contradiz entre eles é muito evidente, onde os soldados vivem o inferno na terra, com a constante batalha entre a vida e a morte, a perda da inocência dos mais novos, até a perda do 'patriotismo' do pelotão. Na contrapartida temos o alto escalão, que não vive esta batalha entre a vida e a morte, tem o dia a dia muito diferente dos soldados, pelo simples fato de ter um refeição luxuosa, na contramão dos soldados que nem alimento tem todos os dias e que tem o patriotismo no seu mais alto nível, sendo a questão do Armistício um ato inaceitável, pois somente a guerra traz a honra e a morte é mais honrada ainda.
O trabalho de sonorização do filme é algo de hipnotizar o telespectador e mostrar com muita clareza o que Berger quer propor. As cenas que antecedem a ação dão aquele senso de suspense que deixa tudo mais tenso.
O filme também tem alguns problemas, e este não foge disso, como a falta de originalidade em tudo que propõe, com certa dificuldade de alinhar suas ambições com suas realizações.
Uma coisa que parece ocorrer é a deturpação do roteiro, pois o roteiro questiona a realização das guerras, mas nada adianta, pois o diretor reitera a brutalidade e o seu impacto da violência em seus personagens, mas fazendo a estetização da violência. Como ele vai nos mostrar isso? Simplesmente mostrando um soldado desmembrado, com a câmera se aproximando o máximo possível da cena.
Outro paradoxo é a busca pela humanização deles, mas aqui ele gera o processo de desumanização, sendo a construção que gera um processo de checkpoint, onde a violência libera a próxima cena.
O filme não é nada no campo que já não tenha sido filmado por Stanley Kubrick ou Steven Spielberg, mas isto não significa que não seja um espetáculo de impacto ou que desonre a tradição de denúncia pacifista da guerra, mas a linearidade que busca a emular a frieza do conflito acaba por cansar.
É importante lembrar que neste exato momento está ocorrendo a guerra da Ucrânia, onde milhares de jovens vão para lá e estão morrendo por causa de seus governantes que nem se importam com eles.

Nota: 3,0.

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