Nope




Jordan Peele trabalha em Hollywood há aproximadamente 20 anos. Ele criou, produziu e atuou em vários programas de TV e escreveu e dirigiu dois filmes celebrados. É seguro dizer que ele adquiriu uma perspectiva afiada sobre como a busca por fama e relevância afeta as pessoas e suas vidas e as armadilhas da busca pela “perfeição! na arte e na criação. E ele colocou tudo isso em seu mais novo filme “Nope”, provavelmente (aguarde por uma provável opinião controversa), seu melhor filme até agora.
Daniel Kaluuya e Keke Palmer interpreta os irmãos Otis (O.J.) e Emerald (Em), donos e cuidadores do rancho de sua família que constantemente trabalham para a indústria do entretenimento, que se veem com a tarefa de capturar uma criatura voadora não identificada que causa destruição por onde passa. Tentar entender a criatura, a maneira como ela se manifesta e como as pessoas reagem a ela a fim de capturá-la reflete algo pessoal sobre OJ e Em e suas vidas.
Jordan Peele é fascinado por animais e pelo conceito de animalização, que ele aborda em seus filmes anteriores, mas muito mais explicitamente aqui. OJ, Em, e o ex-ator mirim Ricky “Jupe” Park, interpretado por Steven Yeun, que está tentando voltar ao show business, entendem como é ter sua humanidade reduzida e até apagada, para ser transformados em um espetáculo. Essa compaixão pelo animal é a força motriz por trás da narrativa e de muitos dos temas presentes no filme.
Dá pra perceber o quanto Peele fica mais confortável na cadeira de diretor a cada filme: o ritmo e a estrutura do filme são impecáveis; o filme transmite suas mensagens com sucesso sem abrir mão de sua sutileza, e Jordan incorpora muitas de suas influências cinematográficas em seu estilo visual, principalmente clássicos de ficção científica e de terror como Mágico de Oz a Akira e muitos filmes de Steven Spielberg.
É palpável na direção de “Nope” que Jordan Peele tem tanta reverência pela forma de arte quanto tem críticas à indústria; apenas uma das razões que fazem deste um dos filmes mais interessantes do ano.

Nota: 4,5.

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