O Telefone Preto
O longa conta a história sobre o Sequestrador de Denver no ano de 1978, que aterrorizou a população local, sendo que seu modus operandis era baseado em, sequestrar jovens, sendo geralmente do sexo masculino, usando uma van preta e usando balões para a distração de suas vitimas, que são levadas a sua casa para viver um inferno.
Começamos a acompanhar a vida de Finney Shaw, um garoto que sofre por muita coisa em sua vida, na qual tem sofrido abusos em casa pelo pai e sofrido bullying na escola por um grupo de meninos. Junto com ele somos apresentados aos outros personagens, como sua irmã mais nova, Gwen Shaw e ao seu pai, Terrence Shaw. Ele será a próxima vítima do Sequestrador, onde fica preso num porão com isolamento acústico, descobre que tem um telefone desconectado na parede que é capaz de fazer a comunicação com as vítimas anteriores, que estarão dispostas a impedirem que ele tenha o mesmo destino trágico.
Este é o novo trabalho da dupla, o roteirista C. Robert Cargill e do diretor, Scott Derrickson, que se juntam novamente para nos apresentar esse filme sobre terror psicológico e visão sobre o amadurecimento da vida, tudo isso com uma pequena adição do sobrenatural. Para o papel principal eles chamam o Ethan Hawke, que já trabalhou com a dupla em A Entidade. Como no filme, o uso de máscaras também acontece e parte de toda a experiência.
Depois de algum tempo o Derrickson conseguiu impor seu estilo de filmagem, onde opta pela construção do gênero do que demonstrações com recursos óbvios, como os jumpscares, que consegue pegar o telespectador desprevenido, mas usado de forma diferente, pois não aposta no óbvio.
Para dar a ambientação ao telespectador ele usa do recurso temporal e cheio de referências, como os anos 70 e 80, junto com tudo que vinha acompanhado da época. Começando pela trilha sonora, com "Free Ride" do The Edgar Winter Group, "Early Morning Blues" do cantor americano de blues Blind Blake, "Fox On The Run" da banda Sweet, "On The Run" da banda Pink Floyd, entre outras. Os filmes também marcam presença como, "O Massacre da Serra Elétrica", "Operação Dragão".
A questão filosófica sobre o amadurecimento da vida que o filme nos mostra é feita com muita sensibilidade, pois Finn tem de conviver com vários aspectos negativos da sua vida, como o bullying sofrido na escola por valentões e o abuso do seu pai. Ele não sabe ao certo como sair disto tudo, onde ele não quer enfrentar os meninos pois não quer ser como eles, que resolvem tudo na base da porrada. A outra é o medo do que seu pai pode fazer com ele e sua irmã, pois ele já ameaçou deformar a cara dela durante um surto.
Com o passar do filme, o menino começa a passar por esta transformação, muito pelo qual seu amigo o faz enxergar que ele nunca foi fraco e sim tinha receio das consequências que toda a sua ação poderia causar, uma mensagem bonita que o filme nos passa.
Muito disso é a mensagem que Derrickson nos mostra, pois esta é uma história que fala sobre a esperança além dos assombros da violência urbana que estava presente na juventude no final de década de 70 e da contextualização doméstica e familiar abusiva que até agora se mostra presente.
Acho que o único defeito do longa é a inserção do humor que o diretor tenta imprimir, pois ele faz essa inserção em momentos que fica fora do tom e isso faz como se a narrativa buscasse aplicar uma quebra de tensão qualquer que fosse, o que soa como um artifício manjado e que termina destoando de toda a construção envolvente de drama e suspense sobrenatural.
Então com tudo isso que mostramos, ele se torna um filme que poderia ter sido indicado ao prêmio do Oscar.
Nota: 4,0.

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