Red: Crescer é uma Fera
Conhecemos a Mei Lee, uma menina de 13 anos, chinesa-canadense, que mora em Toronto com seus pais, a Ming Lee, sua mãe e seu pai, o Jin Lee. Ela é uma típica descendente de uma família asiática, onde a questão família vem em primeiro lugar. Para honrar esse legado ela tem de se tornar um exemplo, onde ser boa em tudo é a meta e caso não seja, ela irá desonrar todos e principalmente sua mãe.
Mei é uma garota que praticamente tem a vida toda em suas mãos, como os estudos sempre com notas boas, com um grupo de amigas altamente fiéis e companheiras, com um rotina toda regrada, pois ajuda sua família no templo em que administram, mas não pode se divertir com suas amigas depois da escola. Certo dia ela acorda e se vê antropomorfizada em um panda vermelho e daí toda a sua vida vira de cabeça para baixo, pois terá de fazer um ritual para voltar ao normal, mas ao mesmo tem um show que ela tem de ir com as suas amigas.
Este novo projeto da Pixar, que tem como diretora a Domee Shi, mesma criadora do curta Bao, vencedor do Oscar, de Melhor Curta Metragem de Animação em 2019. Agora ela retorna na direção e conta nos roteiros com Julia Cho e Sarah Streicher, onde formam uma equipe e tanto. Podemos dizer que a Domme consegue muito bem em nós mostrar a transição entre o lado infantil para a adolescência, pois aqui ela consegue transparecer a metáfora visual da puberdade.
Essa mudança de Mei traz à tona o que é puberdade, com as mudanças físicas difíceis de entender e encarar no espelho, as alterações de humor e a insegurança são, afinal de contas, clássicos dessa fase da vida. A trama ainda explora a complexa relação entre mães e filhas, mas agora com a perspectiva da criança, ou como a Mei diz, a "oficialmente adulta".
A chegada da adolescência é a batalha interna que não pode ser mais contida, quer queira ou não. Sua forma de panda vermelho é este ponto de virada: Mei precisa se descobrir fora do conforto da mãe, mesmo que não seja tão legal assim. A mudança pode não ser tão bonita, cheirosa e certinha como se era antes, mas que isso pode trazer uma magia libertadora.
Temos a visão da mãe, que vê tudo isso ocorrendo e alinhado a outros fatores e fica extremamente preocupada com esta 'separação' da Mei com ela, por isso justifica o fato de ela fazer tudo aquilo. O filme mostra muito bem a relação das duas, o que é uma doce e ao mesmo tempo complicada, calcada em uma dualidade realista e facilmente relacionável, pois temos duas visões, onde existe um conflito silencioso e inevitável, e um companheirismo simbiótico, presente sempre em momentos cotidianos, como fazer pãezinhos enquanto assistem e comentam sobre a novela.
Ela também trouxe uma linda mensagem de final, onde você pode se aceitar como quer ser realmente e não ficar tendo sempre que se manter num padrão imposto, seja ele pela sociedade ou pela família.
A Domee Shi também percebeu que a animação precisava ser feita diferente do que estava sendo de costume, ou seja, os padrões que estavam ocorrendo a tempos na indústria. Não quer dizer que ela inventou, mas sim, que ousou misturar. Então temos a forma dos animes, muito presentes, tanto no estilo como em referência, como os olhos ficando arredondados e até um kaiju.
Acho que seu único defeito seja em torno do roteiro, pois a família é meio estereotipada, ou seja, me passa que todas as famílias com ascendência oriental sejam desta mesma maneira, mas acho que são mesmo dessa maneira. Outra coisa negativa do roteiro é a virada de jogo na questão da amizade, pois o menino mais chato da escola, quando descobre que ele também está no show, acaba virando o amigo da turma.
Um filme bem legal sobre a representação da chegada da puberdade numa visão da criança, cheio de alegria e tristeza, coragem e medo, mas com amor de sua família e amigas.
Aproveite muito com a família e amigos.
Nota: 4,5.

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