Decisão de Partir



“Decisão de Partir” é o mais novo filme do cineasta Park Chan-wook, e provavelmente seu melhor filme desde sua master peça Oldboy. Park é um mestre na flexão de gêneros, contando histórias lindas e profundas ao mesmo tempo em que combina diferentes estilos e visões, e “Decisão de Partir” faz isso perfeitamente: conta uma história de amor complexa e vívida dentro do cenário de um thriller policial.
Hae Jun é um detetive com problemas de insônia, cujo trabalho o mantém distante, em todos os sentidos, de sua esposa. Seo-Rae é uma imigrante da China que trabalha como cuidadora de idosos, que se envolve em um caso de assassinato. Jun é designado para o caso de Seo, e é aí que eles se encontram pela primeira vez. É a história de duas pessoas cujas vidas são intensamente marcadas pela morte e, apesar disso, ou talvez por conta disso, os acontecimentos do filme vão mantendo-os juntos.
O filme é uma “masterclass” em como fazer o enredo funcionar em perfeita sinergia com as mensagens e temas do filme; criar um mistério convincente é difícil, usar elementos de suspense para conduzir o arco dos personagens é algo completamente diferente.
Em questão de estilo visual, também não deixa a desejar; cada cena é lindamente composta e transmite uma mensagem importante e impactante: há o uso de “raft focus” para transmitir as sensações de desconfiança e confusão, certas cenas são filmadas de diferentes pontos de vista, que mostram um uso brilhante da edição, e outras cenas são filmadas de forma a remeter a cenas anteriores, o que adiciona ao suspense e surpreende constantemente o espectador.
Esse é o exemplo perfeito de como um filme pode ser extremamente eclético, no sentido de provocar muitas emoções diferentes sem nunca perder de vista o seu tom. O único elemento que impede o filme de ser maior é o seu final. Park Chan Wook é conhecido por suas sequências finais que se estendem de forma a forçar o espectador a encarar as duras emoções com que foram apresentados. Isso funciona muito bem em um filme como Oldboy, com sua reviravolta final e metáforas criativas que aumentam o drama, mas funciona de forma menos efetiva aqui. Grande parte da essência do filme está nas entrelinhas, relatada pelo estilo visual e fortalecida pelos subtextos, e o final necessitava de algo nessas mesmas linhas.
Ainda assim, “Decisão de Partir” tem o suficiente em sua construção para ser considerado um exemplo do melhor que a nova década de filmes pode oferecer, e como um diretor veterano ainda pode ter um filme de assinatura que consegue ser novo e interessante.
Mesmo não sendo indicado a nenhum Oscar, o filme teve duas indicações no British Academy Film Awards e competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Nota: 4,5.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Força Bruta: Punição

Shazam!

Kamen Rider - Vol. 1 (O Tenebroso Homem-Aranha)