A Sociedade da Neve

 


Por Ricardo Hasegawa

O filme "A Sociedade da Neve" retrata a história de um dos maiores casos de acidente aéreo da América Latina. Onde em 13 de Outubro de 1972, o voo 571 da Força Aérea Uruguaia caiu nas Cordilheiras dos Andes com 40 passageiros e 5 tripulantes. Após 72 dias nas montanhas geladas, os 16 sobreviventes foram resgatados no dia 22 de Dezembro de 1972. O voo 571 era um voo fretado, que transportava membros do time de rúgbi, o Old Christians Club, além de alguns familiares e amigos.
O filme tem em sua equipe técnica o diretor, Juan Antonio García Bayona, que já dirigiu, Jurassic World: Reino Ameaçado, Sete Minutos Depois da Meia-Noite, O Impossível, alguns episódios de Os Anéis de Poder, entre outros. Nos roteiros também temos Bayona e Bernat Vilaplana, Jaime Marques-Olarreaga e Nicolás Casariego. Vale a pena lembrar que o filme é baseado no livro 'La Sociedad de la Nieve', de Pablo Vierci.
O filme conta com diversos pontos positivos, como o roteiro, onde ele apresenta duas características, uma é o foco em praticamente todos os personagens, na qual o roteiro consegue dar ênfase a todos os envolvidos no acidente na medida do possível, fazendo questão de citar as vítimas que não sobreviveram ao acidente por completo, desde sua queda até o momento de resgate, pois um dos sobreviventes enquanto estava para ser socorrido, faz questão de recolher uma mala com bens de cada um deles, que no fim serviram como lembranças para as famílias. Outra característica é sobre a quebra da expectativa, pois estávamos acompanhando toda a história por conta do seu 'narrador', o Numa Turcatti, que achávamos que seria um dos sobreviventes, mas que em determinado momento vem a falecer, fazendo com que lembrássemos do personagem principal da história, as vítimas.
Outro ponto positivo é o estilo de filmagem que o diretor emprega em todo o longa, pois ele se utiliza de filmagens em close-up, planos abertos e planos panorâmicos, na qual ele utiliza estes elementos para aumentar a tensão da cena em questão. Aliado ao estilo de filmagem temos também a fotografia, que é de tirar o fôlego, pois você consegue imaginar o tanto que a Cordilheira dos Andes é maravilhosa em sua paisagem, mas, ao mesmo tempo o quanto ela também é mortal, com as suas temperaturas extremamentes baixas, que causou hipotermia neles. Isso rendeu diversos problemas de saúde, dentre eles, a inconsciência, dificuldades respiratórias e alterações nos batimentos cardíacos, sendo que além de tudo isto, renderam algumas queimaduras de peles por causa do gelo.
Outro ponto positivo é sobre a atuação, onde temos os atores na sua mais alta performance, onde eles conseguem fazer com que fiquemos mais absortos na história, fazendo com que parecesse que também estivéssemos sofrendo com eles naquele momento.
Seu único ponto negativo fica por conta da sonoridade ou até mesmo a trilha sonora, na qual aqui ele não consegue dar uma importância tão relevante quanto precisava, pois em sua maioria das cenas, ele usa de um mau jeito, conseguindo quebrar o ritmo do filme, conseguindo até mesmo tirar o clima que estava sendo construído.
A história tem vários fatos interessantes sobre os motivos do porque eles conseguiram sobreviver a este clima hostil, dentre eles porque eram considerados atletas, por isto seu físico era mais preparado que das demais pessoas, fazendo com que tivessem mais resistência. Além de serem universitários, ou seja, eram jovens, sendo que também por causa de serem universitários, possuíam estudos, principalmente por causa do grupo ter estudantes de medicina, além de terem outros estudantes que souberam usar a inteligência a seu favor, criando mecanismos que ajudaram ainda mais no dia a dia.
A maior e mais difícil decisão que o grupo teve que tomar foi sobre a ingestão de alimentos, pois em certo momento tudo estava acabando e eles tiveram que fazer a escolha do canibalismo, o que trouxe diversas dúvidas para todos, como sobre o modo que deveria ser feito, quem seria a pessoa que serviria como alimento, quem serviria como os coletores da carne, além da questão ética e moral. No fim estas pessoas que foram escolhidas como os coletores da carne, faziam tudo isto em total sigilo, não deixando ninguém ver o que estavam fazendo.
Quando filmes sobre acontecimentos trágicos são feitos, a pergunta que se deve fazer é como contar a história sem desrespeitar as vítimas? O filme consegue responder a pergunta nos lembrando que o personagem principal são as pessoas e não o modo de como eles fizeram para sobreviver ainda mais, porque isso será contado naturalmente, não precisando de um foco ainda mais no assunto.
Sua cereja do bolo fica por conta da pergunta em que os sobreviventes se fazem, que é. Nós somos um milagre por ter sobrevivido ou não, por que não estarmos todos juntos?

Nota: 3,5.

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