Monster

 



por Tomás Gimenes

“Monster” conta a história de Minato, um menino de 11 anos criado por sua mãe solo, Saori. Depois que ele começa a mostrar alguns comportamentos estranhos, Saori suspeita que Minato está sendo maltratado na escola e acusa seu professor Sr. Hori. O que se desenrola é uma história extremamente potente e complexa que atrai tanta atenção pelo suspense que constrói quanto pela catarse emocional que libera.

O filme é dividido em três partes, cada uma nos mostrando a história de uma perspectiva diferente: a primeira parte do filme é sob a perspectiva de Saori, nos fazendo sentir toda a ansiedade e frustração de uma mãe querendo justiça para seu filho. A segunda parte nos dá a perspectiva do Sr. Hori e seus esforços para tentar entender Minato enquanto é forçado a fazer as vontades da escola e enfrentar as consequências das acusações de sua mãe. E por fim, a parte final é a perspectiva do próprio Minato, e sua luta para lidar com seus problemas e ansiedades.

Ao nos mostrar a história a partir dessas diferentes perspectivas, cada uma mais reveladora que a outra, é como os cineastas conseguem construir essa combinação de suspense e catarse emocional, e abordar diversos temas, incluindo bullying, preconceito, sexualidade e trauma familiar em uma forma significativa; nenhum tema é tratado de forma confusa ou rasa.
“Monster” é magistral na sua execução, principalmente na forma como é filmado e editado para nos mostrar diferentes enquadramentos e pontos de vista de um mesmo momento. A trilha sonora do saudoso Ryuicho Sakamoto dá o tom para a montanha russa de emoções que permeiam a história. Isso sem mencionar as performances, tão cruas e precisas, exatamente o que uma história tão fantasticamente realista precisava.
Esta é uma história conduzida cuidadosamente, que consegue fazer com que o espectador sinta uma amostra do peso, não só de ser jovem sob os olhos julgadores da sociedade moderna, mas também o de guiar e cuidar dessa nova geração. Ainda assim, a história consegue ter um ponto de vista otimista, e um fio condutor emocional, que permitem ao espectador captar a sua essência na sua beleza, algo difícil de conseguir, especialmente para um projeto tão ambicioso.

Nota: 4,5.

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