Robot Dreams - Meu Amigo Robô
Por Ricardo Hasegawa
O filme "Meu Amigo Robô" conta a história de Dog, um cachorro que mora em Manhattan e está cansado de ficar sozinho. Por isso, em uma noite enquanto estava assistindo TV ele vê um comercial sobre um robô que serve como companheiro e nesta hora ele decide comprá-lo e sanar seu problema.
A amizade entre os dois floresce a cada dia, até que se tornam inseparáveis e vivem dias incríveis, transformando o espírito de Dog, saindo de uma tristeza para uma alegria imensa, tudo isso ambientado numa Nova York dos anos 80 cheia de referências dos seus ícones.
O filme tem como principal nome o Pablo Berger que assina como diretor e roteirista, onde adapta uma história em quadrinhos de autoria de Sara Varon de mesmo nome. Sua produção fica por conta da Arcadia Motion Pictures, uma empresa espanhola que não tem o mesmo tamanho de uma Sony Pictures Animation ou Pixar.
Seu estilo 2D é muito bonito mesmo se comparado aos outros filmes de animação que concorrem com ele na premiação do Oscar. Por falar em estilo, eles tiveram um excelente êxito em construir ele todo sem falas, na qual somente nas ações, fisionomias e trilha sonora trocam de lugar com as falas e o mais legal é que ele se torna bem expressivo, conseguindo passar estas 'falas' com a mesma intensidade.
Um dos temas propostos pelo longa é debater e fazer uma crítica sobre alguns dos problemas do século, a solidão e a individualidade. Este que talvez seja um dos sentimentos que mais afeta os seres humanos atualmente, que consegue gerar ainda mais problemas, como de saúde por exemplo. Muitas das pessoas nos dias de hoje estão vivendo como Dog, pois não conseguem sair de casa devido a vários motivos, como o medo de acontecer alguma coisa na rua ou até mesmo por causa do avanço da tecnologia, que conseguiu trazer a comodidade através de um click, como mercado, diversão (cinemas, streaming e games) e até trabalho. Além disso, até as relações pessoais ficaram para dentro de casa, onde as pessoas só saem quando marcam um encontro.
Uma das sacadas de gênio de Berger é sobre fazer o filme (claro, baseado na obra da Sara) usando os personagens como seres antropomorfizados, e com isto basear os animais/personagens com suas características de animais. Por isto o Dog como cachorro é de uma genialidade sem tamanho, pois é esta dicotomia que o Dog apresenta, porque muitas pessoas dizem que o cachorro é a melhor companhia do homem.
No caso o Dog é quem faz o papel de humano, que se sente solitário e que por isso decide arrumar uma companhia, que no caso é o robô, que acaba assumindo o papel de cachorro e mudando totalmente a vida de Dog, exatamente como um cachorro pode fazer com um humano.
Outra coisa bem legal é sobre a criação de mundo do Berger, onde ele nos insere numa Nova York, ambientado nos anos 80, e localizado mais especificamente em Manhattan. Além disto ele insere em algumas cenas diversas referências aos anos 80 e sobre a cidade, como sua diversidade de tribos, o famoso metrô, o diretor Spike Lee, alucinações com o filme 'O Mágico de Oz' , o motorista de táxi, Travis Bickle do filme Taxi Driver, tudo isso embalado pela música September do Earth, Wind & Fire.
Tudo isto também é alimentado também pelo avanço do roteiro, pois o Robô em determinado momento fica preso na praia e Dog só conseguirá resgatá-lo daqui a 1 ano, quando as portas da praia se abrirem novamente. Com isto vemos novamente a genialidade de Berger, pois iremos esperar com Dog este 1 ano, acompanhando todo o período, como as datas comemorativas, como Halloween e Natal. Além disso, temos o 'avanço' na vida de Dog, que consegue sair de casa e arrumar até um encontro e se sair muito bem.
Talvez suas únicas 'críticas' fiquem por conta do filme ser monótono, pois estávamos vindo de filmes recheados de ação, aventura, cheios de super-heróis e com um estúdio e distribuidora muito forte, tudo ao contrário por aqui, com um filme mais contemplativo e extremamente sensível. A outra crítica fica por conta de ser um pouco clichê e uma busca incessante pelo sentimentalismo, pois ele repete alguns destes momentos porque é um modo de ressaltar a mensagem que ele quer passar num filme sem falas.
Todas estas críticas são bastante relevantes pois ele é tudo isto, mas ainda mais, porque ele usa tudo isto e sabe que está se repetindo, mas sabendo que está fazendo tudo isto por um bem maior, que é a mensagem que ele quer passar para todos.
A obra também serve como uma excelente indicação de um filme infantil, pois o diretor o cria com várias camadas, onde faz a ligação entre o adulto e a criança, de modo que a mensagem sobre a questão da solidão os dois entendam, mas a outra mensagem de que seguir em frente faz parte do amadurecimento, mas que talvez isto as crianças não entendam, mas de resto pode ir tranquilo que o filme vale muito a pena.
Nota: 4,5.

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