The Holdovers - Os Rejeitados
O ano é 1970 e estamos chegando ao fim das aulas na Barton Academy, um colégio interno em New England, Connecticut. Paul Hunham, um dos professores mais antigos da instituição, e não muito querido por alunos e professores, é obrigado a permanecer na escola para vigiar os alunos que não poderão voltar para casa nas férias, e passará as festividades ao lado de Angus Tully, um estudante cujo relacionamento com a mãe se distanciou ao longo dos anos, e de Mary Lamb, a gerente da cafeteria que recentemente perdeu o filho.
“Não se fazem mais filmes como esses”. Esta foi uma das respostas mais comuns a “Os Rejeitados”, que tem conquistado o coração do público, e dá para perceber o porquê. A combinação da estética do filme, que parece feita na época em que se passa, e uma linha emocional que parece retirada de um filme familiar dos anos 90, transporta esse sentimento nostálgico para o cenário cinematográfico atual.
É claro que, mesmo que filmes que tragam uma sensação nostálgica e resgatem um gênero cinematográfico “antigo”, sejam muito populares hoje em dia, em mãos menos capazes, essa combinação pode levar a algo que parece obsoleto e desatualizado. Felizmente, Alexander Payne provou repetidamente em filmes como “Sideways”, que carrega uma sensibilidade rara, muito precisa quando se trata de contar histórias que podem ser sinceras e dramáticas, ao mesmo tempo que são sutis e extremamente divertidas.
E claro, isso não seria o mesmo sem o elenco. Da’Vine Joy Randolph é encantadora de assistir em todas as cenas, extremamente engraçada e mesmo quando ela está em seu momento mais dramático, ela retrata Mary com muita confiança e empatia e é cativante de assistir.
O estreante Dominic Sessa é uma revelação como Angus, interpretando uma versão moderna do “adolescente angustiado” tão inteligente quanto emotivo (e um coração de ouro) com muita naturalidade e personalidade.
Paul Giamatti sempre foi um dos atores mais subestimados de Hollywood, mas esse talvez seja o papel que ele nasceu para interpretar. Sua atuação como professor rigoroso, ressentido e levemente crítico (com um coração de ouro, é claro) Paul Hunham é uma das performances mais cativantes do ano; hilária, magnética e comovente ao mesmo tempo.
De muitas maneiras, as jornadas e personalidades dos personagens refletem a mudança dos tempos, e o filme explora isso de maneiras sutis e interessantes. A rebeldia de Angus, os seus valores e visões do mundo se encaixaram dentro do que se espera de um jovem nos anos 70, e do movimento contracultural que define a época.
Algo semelhante pode ser visto nas sensibilidades de Paul e nas dificuldades que ele encontra ao tentar se relacionar e se identificar com seus alunos, e com o mundo em geral, em uma época que parece estar em constante mudança.
Sem falar no filho de Mary, que faleceu na Guerra do Vietnam, um acontecimento da vida real que ajudou a moldar a política e a cultura da década.
Esta é uma história sobre indivíduos que aprendem a superar noções preconcebidas e exercer empatia para além de suas próprias experiências; o tipo de filme que, por algum motivo, pode ser considerado algo exagerado e não mais ressonante. Por isso, é tão reconfortante ver que um filme como este não só existe nos tempos modernos, mas também pode ser um candidato ao Oscar; um filme que cativa pela sua simplicidade, o que é algo difícil de conseguir e acaba por muitas vezes, não tendo o devido reconhecimento.
Nota: 4,0.

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