The Iron Claw


Por Tomás Gimenes

“Garra de Ferro” conta a história da família Von Erich, uma das famílias mais famosas e influentes, na história da Luta Livre. O filme narra sua ascensão e fama e desvenda as raízes da chamada “Maldição Von Erich”. O diretor e roteirista Sean Durkin foca no contraste entre o amor e o carinho que os irmãos tinham um pelo outro e o lado mais destrutivo de si mesmos, que levou a uma das histórias mais trágicas da história do esporte.

Desde o início, compreendemos a poderosa influência que a Luta teve nas suas vidas e a vantagem competitiva incutida nos rapazes pelo seu pai, tudo através da perspectiva de Kevin, o irmão mais velho (ou segundo mais velho, como ele próprio diz, devido a morte de seu irmão mais velho, Jack). Kevin é tão aberto e amoroso com seus irmãos quanto é fechado e subserviente com seu pai, e é tão imponente e forte no ringue quanto tímido, inseguro e, em geral, socialmente inepto, como o filme mostra pelas suas interações iniciais com Pam, sua futura esposa.

À medida que seus irmãos começam a ganhar destaque e se tornarem cada vez mais investidos no sonho do pai, e vemos Kevin se tornar mais ressentido e protetor ao mesmo tempo, também vemos mais da devoção de seus irmãos, suas inseguranças e a forma como as projeções de seu pai causam conflitos com seus próprios sonhos e ambições.

À medida que o filme avança, a vida como lutador torna-se cada vez menos glamorosa. Se durante a primeira metade vemos montagens eletrizantes de sequências de luta lindamente coreografadas ao som de uma trilha sonora cuidadosamente selecionada, no momento em que chegamos a luta final, as luzes estão mais sutis e menos coloridas, não há trilha sonora ou movimentos de câmera chamativos, enquanto sentimos o peso de Kevin tendo a mesma atitude destrutiva no ringue que seus concorrentes mostraram no começo do filme.

O filme faz um ótimo trabalho ao retratar o perigoso ciclo de violência em que os personagens se envolvem, e como a luta livre é usada como uma válvula de escape; quanto mais os personagens reprimem suas emoções, mais comportamentos violentos eles assumem. Isso é interessante porque contrasta com a forma como os irmãos se conectam um com o outro, que são as sequências mais envolventes. A cena em que Kevin e Kerry conversam ao telefone é comovente e uma das cenas mais poderosas do filme.

Os 20 minutos finais, em que a história chega em seu pico emocional, tendem a ser um pouco dramáticos demais, especialmente para um filme tão focado em desmistificar uma história tão mitificada, mas funcionam devido em grande parte ao talento dos atores envolvidos, principalmente Zac Efron, cuja personificação de Kevin é a âncora de todo o filme. Mas mesmo que seja melodramático, a cena final acerta lindamente a mensagem do filme e consegue dar uma chave de braço nas cordas do coração.

“Garra de Ferro” ainda está em cartaz nos cinemas de todo o país. Nota: caso você esteja preocupado, há uma sequência de dança no filme. Nosso menino Zac não vai passar um filme sem dançar um pouco, podem ficar tranquilos!

Nota: 4,0.

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