Todos Nós Desconhecidos


Por Tomás Gimenes

"Todos Nós Desconhecidos", de Andrew Haigh, baseado no romance “Strangers” de Taichi Yamada, é provavelmente uma das meditações mais profundas e sinceras sobre o luto que chegou aos cinemas nos últimos anos.

A história acompanha Adam, um roteirista solitário que mora sozinho em Londres, que carrega o trauma de ter perdido seus pais quando criança.

Mas Adam tem uma habilidade peculiar: toda vez que visita a casa de sua infância, ele pode vê-los, conversar com eles, abraçá-los, como se nunca tivessem partido.

Paralelo a isso, Adam se relaciona com Harry, um homem sensível, senão um pouco excêntrico, com quem compartilha uma conexão natural e empatiza com ele, visto que também carrega seus próprios traumas e cicatrizes.

Mas Harry é mais do que apenas um catalisador para o personagem de Adam. Ao longo da narrativa, ele vai sutilmente revelando cada vez mais sobre si mesmo, suas sensibilidades e também seus lados mais destrutivos, atingindo seu ápice, de uma forma tão significativa ao final da trama, que sentimos que o conhecemos plenamente.

Esta é uma das representações mais eficazes das dificuldades de lidar com o trauma e de superar o passado. Ao se reconectar com seus pais, Adam consegue ter experiências que nunca teve, mas também precisa aprender como deixar a ideia dos seus pais e olhar para o futuro, que é onde Harry entra.

O processo de Adam em revelar sua sexualidade a seus pais encapsula o sentimento de ter de lidar com a perda de alguém sem que esse alguém o conheça plenamente, e de se perguntar o que teria sido diferente se isso acontecesse.

O roteiro de Haigh é um destaque do filme. Cada personagem é reservado e enigmático à sua maneira, mas tem um jeito de falar que informa muito sobre eles. O diálogo é nítido e delicado ao mesmo tempo, o que é grande parte do que torna o filme tão devastador ("Você não está lá. Você está aqui. Comigo").

A trilha sonora também é um destaque. O gosto musical de Adam acrescenta muita personalidade ao personagem e tem um propósito emocional, pois remete à sua história e ao relacionamento com seus pais.

"Todos Nós Desconhecidos" ainda está nos cinemas de todo o país. Foi um dos filmes mais emocionalmente potentes do ano passado e foi indicado a vários prêmios, incluindo melhor filme no Independent Spirit Awards, e definitivamente vale a pena assistir nos cinemas.

Nota: 4,5.


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