Os Bad Boys 1


 

Por Tomás Gimenes

Em homenagem à Bad Boys 4, que será lançado em junho deste ano, faremos uma viagem pela estrada da memória, começando pelo filme que deu início à franquia e transformou um diretor explosivo, e dois atores cômicos incrivelmente carismáticos em nomes proeminentes: um clássico da Temperatura Máxima, “Bad Boys”.

Desde o início, já dá pra notar o estilo característico de Michael Bay tomando forma; desde a maneira como ele retrata relacionamentos cheios de energia agressiva e humor juvenil, até o estilo de direção, mais especificamente, seu uso de luzes e movimentos de câmera, que se encaixa incrivelmente bem nesse estilo de história, pois quase emula uma clássica série policial. Até a trilha sonora de Mark Mancina remete ao algo no estilo “Miami Vice”.

Mesmo assim, dá para perceber que Bay ainda está tentando se encontrar como diretor, porque mesmo considerando tudo isso, a direção é ainda muito moderada; ainda não está no nível de octanagem, violência e brilho pelos quais ele se tornaria conhecido, para melhor ou para pior.

Ainda assim, as sequências de ação são onde a criatividade de Bay realmente brilha. A decisão inspirada de escrever e dirigir uma cena tão absurda como uma perseguição de carro onde nossos heróis dirigem um caminhão de sorvete cheio de explosivos, apenas para depois usá-los para distrair os vilões que os perseguem é realmente impressionante.

Uma coisa que chama a atenção é que, mesmo com o interesse de Michael Bay em retratar relacionamentos com um lado mais cínico, (não que o filme não tenha bastante disso), dá pra notar um toque de sinceridade e leveza no relacionamento de Marcus e Mike. E grande parte disso é, claro, a química entre Will Smith e Martin Lawrence.

Lawrence aproveita ao máximo do roteiro e oferece ótimos improvisos que aumentam o fluxo cômico da história, enquanto Smith se sai surpreendentemente bem, considerando que Mike é muito mais sério do que os personagens aos quais ele geralmente era associado naquele momento; ambos entregam boas performances com muito charme e presença de tela.

Em termos de elaboração de filmes “buddy cop”, Michael Bay não tem a mesma sensibilidade de alguém como Shane Black, mas você não pode dizer que ele não tem uma habilidade distinta, e um olho chave para escalar atores talentosos. Mesmo “Bad Boys” não tendo envelhecido incrivelmente bem (embora, para um filme de Michael Bay, talvez tenha), ainda ocupa um lugar significativo no cânone do cinema de ação.

Nota: 3,0.

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