Fúria Primitiva - Monkey Man
Por Ricardo Hasegawa
Chegou aos cinemas o filme "Fúria Primitiva", que conta a história de Kid, um garoto que cresceu com sede de vingança, causada pela morte de sua mãe, nas mãos Rana, a mando do guru, Baba Shakti.
Ele primeiro surge como um lutador clandestino, o homem-macaco para depois descobrir que seu caminho é muito maior do que ele espera e talvez terá de comandar as pessoas para um melhor caminho.
O projeto tem como cabeças pessoas consagradas como, Jordan Peele e Dev Patel. O Dev Patel aqui atua como produtor, diretor e roteirista. Já os outros roteiristas são assinados também por Paul Angunawela e John Colle, onde também trabalharam em 'School in the Sky' e Station Master in 1947.
O filme tem diversos méritos como o seu roteiro, onde aborda uma legítima história de vingança, com um começo, meio e fim bem demarcados, se passando dentro de uma Índia, rural e urbana.
Além disso, somos abordados um pouco da cultura indiana, seja ela pela alimentação, com seus pratos coloridos e comidas de rua, seja pela religião, presente pelo hinduísmo, na visão de Patel como o Hanuman (deus-macaco que era uma das encarnações de Shiva). Até mesmo são apresentadas críticas sociais, seja ela política, na visão das eleições onde o Baba Shakti, extremo líder religioso começa a apoiar um candidato a troco de favores e poder, e também a crítica de gênero e de castas, onde vemos que os que são 'inferiores' são invisíveis e os 'maiorais' os escantearam para que não sejam vistos como parte de um problema que exige uma solução, além de claro, mostrar a extrema desigualdade social, visto a periferia da cidade, onde a maioria das pessoas moram.
Outro mérito é sobre a atuação de Patel, que está incrível, pois ele consegue transmitir os sentimentos do personagem através do olhar, seja para ele estar triste, com ódio, raiva, etc. Dá para perceber que ele se preparou muito bem para interpretar o personagem.
Ligado a isto, temos as cenas de ação, que são cenas bem viscerais, onde as lutas são 'rápidas', geralmente só usando artes marciais, deixando de lado as armas de fogo.
Por falar no projeto, temos que citar que este é o primeiro projeto do Dev Patel como diretor, e para um primeiro trabalho ele até que foi muito bem, pois suas cenas são bem montadas e sua condução na direção também.
Mesmo com tudo isto de méritos, há também deméritos, como o próprio roteiro, pois ele é extremamente clichê, pois ele apresenta a velha história de busca pela vingança e de amadurecimento do 'herói', onde ramifica para outros clichês, como dele ser o escolhido de Deus e se tornar o mártir, sendo também por isto que ele é extremamente habilidoso nas artes marciais.
Outra coisa que é um erro é a sua falta de abordagem final nas questões que ele já fez antes, como, o caso das eleições, onde não sabemos o que ocorre com a morte do Baba Shakti e também a questão da desigualdade social latente, o que causa a falta de conexão com a sua continuidade, deixando um pouco confuso.
Ele tenta não se comparar ao seu sucesso da contra parte, 'John Wick', mas a própria propaganda de distribuição fala que ele é o John Wick Indiano. Então cabe ao Patel negar tudo isto, pois ele não quer ser apenas a ação-pela-ação, conseguindo agregar uma história a toda a ação desenfreada, deixando assim um bom filme.
Nota: 3,0.

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