A Substância
Por Tomás Gimenes
Qualquer um que tenha tido a oportunidade de assistir "A Substância", a combinação de Coralie Fargeat da sátira de Paul Verhoeven e do horror corporal de David Cronenberg, que aborda assuntos densos de uma forma extremamente nada sutil, percebe o porquê desse candidato à Palma de Ouro conseguir sido tão polarizador e ficado na mente de tantas pessoas.
A história segue Elisabeth Sparkle (Demi Moore), uma atriz que teve um enorme sucesso em seu apogeu e atualmente está vivenciando de perto o lado mais sombrio da indústria do entretenimento e seu tratamento com mulheres de uma certa idade. Após uma série de decepções, que envolvem ser demitida de seu programa matinal, ela se depara com "A Substância”, um misterioso composto científico que cria uma versão mais jovem e vibrante de si mesma.
A parte mais cativante do filme é a dinâmica entre Elisabeth e sua jovem contraparte, nomeada Sue (Margaret Qualley). A necessidade de cumprir as regras da substância, que determinam que ambas as versões devem alternar entre si a cada semana, cria tensão entre ambas as versões, que sentem que estão sendo usurpadas pela outra, especialmente Elisabeth, que vê sua aparência física se deteriorar toda vez que Sue extrapola as regras.
Isso culmina em um terceiro ato que continua aumentando as apostas da narrativa e se afasta tanto do esperado que lentamente sobe para o território de comédia sombria, construindo uma montanha-russa emocional diferente de tudo que qualquer coisa já vista ao menos na história cinematográfica recente. O quão bem você aproveita esse passeio e o turbilhão de sensações que vem com ele, é o teste decisivo para saber se "The Substance" será ou não uma experiência positiva. Mas uma coisa é certa: ela definitivamente será memorável.
Palavras como “gráfico” ou “explícito”, aparecem regularmente na crítica cinematográfica, e vale muito mérito aqui. Este é um filme em que vemos a violência em cada quadro, não apenas nas cenas mais óbvias, como as sequências de transformação, ou o já mencionado terceiro ato, mas também no mundano.
Close-ups de carcaças podres de comida estragada, ou o lixo das ruas, essa sujeira que permeia o ambiente, servem como metáforas para o processo pelo qual os personagens passam. Mas também vemos de perto a violência que permeia a cidade, o desdém que as pessoas demonstram pelos outros, que aparece tanto na vanguarda quanto no subtexto da narrativa.
"A Substância" está nos cinemas de todo o país.
Nota: 4,0.

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