Megalópolis

Por Ricardo Hasegawa

O novo filme do grande diretor Francis Ford Coppola, o Megalópolis que conta a história da eterna briga entre Cesar Catilina e Franklyn Cicero pelo controle da cidade de Nova Roma, onde o Cesar representa o povo, com suas ideias voltadas para o avanço da modernidade em prol da população com o seu novo material de construção, o Megalon, mas que Cicero é totalmente contra, pois este vê que isto acabará com os gastos que a cidade consome e que ele ganha em prol.

O filme é dirigido e roteirizado pelo lendário Francis Ford Coppola, que tem em sua carreira vários ótimos filmes como, O Poderoso Chefão; Apocalypse Now; Drácula de Bram Stoker; A Conversação; Patton, Rebelde ou Herói?; O Selvagem da Motocicleta; entre diversos outros.

Ele conta com alguns pontos positivos como a ambientação e fotografia, que se mesclam muito bem durante o filme, sendo espetacular, onde eles fazem uma mistura dos anos 70 e 80 com uma adição de tecnologia, se tornando uma ficção científica. Temos uma contradição de ambientes, na qual temos cenários gigantescos mas ao mesmo tempo temos eles pequenos, causando certo desconforto visual, contribuindo para isto, também temos o local, sendo uma fusão entre a Roma Antiga com a cidade de Nova York.

Para isto eles colocam uma fotografia com tons mais pasteis e filmagens com muito granulado, geralmente com cores voltadas ao amarelo e cinza.

O roteiro é uma bagunça, pois pelo lado positivo temos a forte crítica social ao sistema de governo e ao sistema de Hollywood, onde quando falamos do governo é sobre os nossos ‘defensores’ não ligarem para quem necessita de ajuda de verdade, como no caso de São Paulo sem luz. O de Hollywood é a afirmação que todos sabíamos, a ingratidão, desdém e frieza, onde eles esqueceram que o próprio Coppola foi que os ajudou a serem lembrados e terem muito mais dinheiro, além disto tem também a retórica de que quem manda nas salas de cinema hoje em dia é as franquias.

Por causa disto este é um filme com muito traço de Coppola, com uma provocação ao público, do que estamos acostumados a assistir no cinema.

O lado negativo do roteiro é sua mistura de ideias, onde ele consegue incluir vários ‘temas’, mas que não é desenvolvida com exatidão, deixando tudo confuso no resultado final. Outra característica é no personagem do Adam Driver, que é o Cesar Catilina ser também uma imagem do diretor, ficando meio forçado e até chato a sua habilidade de parar o tempo, fazendo uma alusão aos poderes do diretor, que consegue fazer isto e também reposicionar a câmera.

As atuações também se tornaram um problema, principalmente com o decorrer do filme, pois todos estão oscilando muito, sendo uma hora muito boa e outra muito ruim.

Muitos dos atores estão dando a impressão de que estão fazendo a atuação com base nos seus papeis de outros projetos, que não estão sabendo direito o que tem de fazer em tela. Até mesmo eles passam a impressão de que estão atuando no nível de teatro, sendo aquela coisa muito overpower.

Muito da atuação se deve em grande parte à direção, na qual se mostra que o Coppola não é mais o mesmo, tendo então chegado seu momento de aposentadoria. Ele se mostra que não tem mais pulso para controlar os atores, se mostrando ao contrário do que era.

No final ele parece perdido no que ajudou a construir, ou seja, filmes que sempre passaram ideias diferentes, mas que sempre tiveram uma linha do que seguir.

Por fim, temos duas mensagens, sendo a primeira, em mostrar o que é um filme muito bom em diversificar o que estamos acostumados a assistir no cinema, aqueles blockbusters e franquias, com todos sendo anabolizados e de quase nenhum experimentalismo. A segunda é mostrar que este tipo de filme ainda tem muito espaço para ele nas grandes telas.

Nota: 2,0.


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Força Bruta: Punição

Shazam!

Kamen Rider - Vol. 1 (O Tenebroso Homem-Aranha)