Todo Tempo Que Temos
Por Tomás Gimenes
“Todo Tempo que Temos” conta a história do relacionamento entre Tobias Durand, um representante de uma empresa de cereais, e Almut Bruhl, uma ex-patinadora, e chef de cozinha, desde o momento em que se conheceram, até as dificuldades de sua relação, sua jornada para a paternidade e a batalha de Almut contra o câncer, que culmina em sua decisão de entrar em uma competição de culinária na Europa.
John Crowley faz parte da onda moderna de roteiristas-diretores interessados em histórias focadas em elementos mundanos como Mike Mills e Noah Baumbach, que se destacam devido ao seu estilo de escrita e sua capacidade de criar diálogos, conflitos e cenários realistas e crus, mas com a ternura e carga emocional que só poderiam existir em um mundo cinematográfico.
Cada momento que Tobias e Almut compartilham é enquadrado com esse exato cuidado em mente, ao ponto que, quando os grandes momentos de conflito acontecem, o espectador consegue criar uma empatia com os pontos de vista de ambos, o que torna essa uma história tão emocionalmente complexa a ponto de nos manter envolvidos e investidos a cada passo.
Parte do que torna esse filme tão rico emocionalmente é como ele equilibra o tom. O cenário cômico do momento em que Tobias e Almut se conhecem habita o mesmo espaço de ternura e conexão imediata que compartilham, o que acrescenta ao drama da maneira como eles lidam com seus sentimentos um pelo outro.
E é aperfeiçoado pelas performances de Andrew Garfield e Florence Pugh. A escalação dos dois é um golpe de gênio, porque seus personagens se encaixam perfeitamente com seus pontos fortes. Garfield fez seu nome interpretando personagens muito abertos e expressivos, e Florence é conhecida por interpretar personagens com um exterior duro, mas que ocasionalmente demonstram sua vulnerabilidade, e essa é a dinâmica que compõe um dos pilares deste filme.
O outro pilar do filme, como o título aponta, é o próprio tempo. A história é contada em uma narrativa não linear para que o conceito de tempo pareça mais abstrato e combine com os temas do filme e a densidade emocional da narrativa. Certas cenas ambientadas no passado vêm para informar ou construir sobre algo que aconteceu no presente, e vice-versa, tudo orquestrado para funcionar tematicamente.
É criado para nos fazer sentir o peso da passagem do tempo, e a pressão de sentir sempre correndo contra ele. Mas ao mesmo tempo, a maneira como as cenas não lineares são cortadas juntas funcionam quase como um recorte de memórias, dos momentos que fazem do tempo algo que valeu, e vale a pena, ser vivido.
“Todo Tempo que Temos” está disponível no Prime Video.
Nota: 4,0.

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