A Verdadeira Dor
Por Ricardo Hasegawa
Em ‘A Verdadeira Dor" conhecemos os primos, David e Benji Kaplan, que se juntam a um grupo de viajem para conhecer o país natal de sua avó, a Polônia, onde ela consegue escapar do Holocausto. Eles irão conhecer toda a Polônia e tentar se reconectar entre eles dois e com as suas raízes. Além disto, irão visitar belas paisagens e algumas paisagens não tão belas do Holocausto.
O filme tem como equipe criativa o mesmo nome, sendo o diretor e o roteirista, Jesse Eisenberg, o mesmo de, Quando Você Terminar de Salvar o Mundo, Becoming A Werewolf, Bream Gives Me Hiccups, entre outros.
O filme tem no roteiro o foco nos laços familiares, sendo em duas vertentes, o primeiro no laço entre os primos, que não se veem com frequência, muito por causa dos acontecimentos da vida, que os afastaram. A outra vertente é sobre as raízes culturais, presente na avó dos dois, que era polonesa e teve que deixar o seu país por causa da sua segurança.
Estas vertentes são acompanhadas pelo mix de sentimentos intensos que eles nos fazem sentir, em relação a praticamente todos os personagens, como, humor, vergonha alheia, ódio, raiva, felicidade, sendo às vezes tudo isso numa mesma cena e que você fica pensando em como tudo isto pode acontecer num milésimo de segundo.
A trama em si tem um pano de fundo muito bonito, que é de se reencontrar as raízes culturais dos seus ancestrais e enfim entender de onde tudo veio. No caso são os judeus, então eles irão entender todas as manias que as pessoas tinham, muito por causa do que sofreram durante a guerra.
Vemos também uma crítica sobre duas coisas, aos jovens e também aos guias de viagens, na qual vemos que os jovens não entendem mais o que os mais velhos sofreram para dar a eles esta vida mais fácil, por isto os adultos cobram tanto deles. Já em relação aos guias de viagem é sobre esta enxurrada de informações que muitas vezes são desnecessárias e só servem para encher linguiça, sendo que em alguns momentos estas informações são contadas em horas em que pouca coisa deveria ser dita.
Um fator que foi pouco explorado é o grupo de viajantes, uma das coisas que poderia ter sido bem melhor, mas pelo pouco tempo de tela e desenvolvimento, eles até foram bem aproveitados, pois são bem ecléticos e que cada um representa um tipo de arquétipo bem legal.
O que fica claro é sem dúvidas a dor dos personagens principais, sendo representado em David, que está muito preocupado com Benji, por causa da tentativa de suícidio e ainda tem a vontade de ser como ele, uma pessoa que todos gostam, onde todos aqueles a sua volta se sentem mais felizes e alegrando o ambiente.
Já com Benji é sua depressão por causa da morte da sua avó e quer ter de volta aquele tempo de antes, quando David era mais descolado e despreocupado.
Tudo isto se deve a atuação dos dois, do David, interpretado pelo Jesse Eisenberg, que consegue se passar por este cara, totalmente imerso no seu mundo automatizado, do trabalho para casa, para cuidar do filho e tudo se repete, sem sair da rotina.
Já o Benji é interpretado pelo Kieran Culkin, que consegue passar todos os sentimentos que o seu personagem exige e com isto faz com que nos faça se apegar completamente a ele, pois sentimos que ele está vivendo sem nenhuma expectativa de vida.
A sua ambientação é feita justamente por lugares reais, então elas trazem muita dor para aqueles que conhecem, por isso eles também tentam trazer alguns lugares que sejam mais amenos. Também usam de jogos de luzes e cores claras nestes lugares mais pesados, para criar um ambiente mais ameno.
A sua mensagem final é sobre o título, A Verdadeira Dor, que serve para se misturar da dor tanto dos personagens e a dor das pessoas que sofreram nestes lugares e nos seus sucessores.
O diretor ainda mostra uma sensibilidade e habilidade em mostrar os ambientes pesados e trazer informações que são realmente úteis para o lugar que mostram.
Nota: 5,0.

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