Capitão América: Admirável Mundo Novo


 

Por Tomás Gimenes

“Capitão América: Admirável Mundo Novo” é a primeira aparição de Sam Wilson como o protagonista de sua própria aventura solo após ter oficialmente assumido o manto do Capitão América, após os eventos de “Falcão e o Soldado Invernal”. Quando ele enfrenta uma organização secreta conhecida como “Sociedade da Serpente”, Sam se vê no meio de uma intriga internacional, que envolverá seu amigo e ex-Capitão América Isiah Bradley, acusado de tentativa de assassinato, e o ex-general Thaddeus “Thunderbolt” Ross, agora presidente dos Estados Unidos, que desafia alguns dos valores de Sam e cujos erros do passado ​​voltam para assombrá-lo de maneira expressiva.

Os cineastas fazem um movimento inteligente ao criar um filme que veste as roupas de um thriller político, do enredo à estética, semelhante ao que fizeram com "O Soldado Invernal”, com grande sucesso. No entanto, considerando o fato de que o público geralmente espera que as franquias se tornem mais criativas e ambiciosas para continuar suas histórias, e o que o personagem de Sam Wilson e a ideia de um Capitão América negro significam para as histórias de super-heróis em nosso clima político atual, é fácil entender por que alguns fãs esperavam um pouco mais de um filme em que um homem negro vestindo a cor da bandeira dos EUA sai na porrada com o presidente do país.

Este é um filme em que a motivação inicial do nosso protagonista é limpar o nome de um veterano de guerra, também um homem negro, e foi violentamente apreendido por um crime que não cometeu de fato. Isso tem todos os ingredientes para uma história cheia de nuances, de grande impacto para os nossos tempos atuais e um arco de personagem muito poderoso e íntimo para Sam, mas isso acaba inexplorado.

Em vez disso, o grande arco de Sam acaba sendo uma repetição de seu arco de “Falcão e o Soldado Invernal”. no qual ele questiona sua posição como um sucessor digno para o manto do Capitão América, e sua decisão de não tomar o soro e manter seu status como um heroi do povo, um arco que carregava mais nuances na série do que aqui.

O aspecto mais político do filme são as certas alfinetadas nos efeitos do imperialismo americano e as tendências dominadoras do país, à medida que outras nações começam a ir contra os EUA e desafiar a liderança de Ross durante a iminência do conflito. Mas essa crítica acaba sendo minada pela revelação de que Ross está sendo usado como um peão em um esquema maior orquestrado pelo vilão principal, Samuel Sterns.

Trata-se de um elemento que funciona bem na construção do enredo e envolve uma tensão bem arquitetada. Mesmo assim, parece quase proposital o quanto isso torna a história como um todo menos radical.

Falando do enredo, também é importante comentar que um dos grandes pontos negativos do filme contém alguns fios soltos: a subtrama da Sociedade da Serpente não se concretiza completamente. E personagens como Ruth Bat-Seraph e Leila Taylor, embora tenham alguns momentos interessantes, não são totalmente desenvolvidas para nos fazer investir em suas jornadas, o que é uma pena, porque elas poderiam facilmente ter acrescentado muito à história.

Uma coisa que foi muito bem executada foi a apresentação dos vilões. Tanto o design do “Líder" quanto a performance de Tim Blake Nelson foram muito bem-feitos, e estou muito feliz que a Marvel o trouxe de volta ao MCU e confiou nele para habitar esta nova versão do personagem em vez de reformulá-lo, o que eles facilmente poderiam ter feito considerando que ele apareceu como uma participação especial em “O Incrível Hulk” há mais de 15 anos.

Quanto ao nosso segundo “malvadão”, a aparição do Hulk Vermelho e sua cena de transformação foram genuinamente horripilantes, o CGI e a maneira como foi filmado conseguiram criar uma tensão real. Você sente o potencial de sua destruição infundida de raiva, especialmente quando em contraste com pessoas normais, incluindo Sam. A grande sequência de luta do filme entre os dois teve um peso real e foi muito bem-feita.

O elenco e os personagens como um todo são na minha opinião, os principais pontos positivos do filme, principalmente Anthony Mackie como Sam e Harrison Ford como Ross, fazendo um ótimo trabalho ao substituir o incrível William Hurt. Sem mencionar alguns ladrões de cena como Danny Ramirez como Joaquín Torres e Giancarlo Esposito como Seth Voelker. Menção especial a Carl Lumbly como Isiah, que entrega a performance mais poderosa e emocionante do filme.

Nota: 3,5.

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