O Brutalista
Por Tomás Gimenes
Ambientado nos Estados Unidos pós-Segunda Guerra Mundial, "O Brutalista" acompanha László Tóth, um arquiteto judeu-húngaro e sobrevivente do Holocausto que chega ao país após ter sido separado de sua esposa enferma Erzsébe. Ele luta para sobreviver em seu novo ambiente até entrar em contato com o renomado e poderoso industrial Harrison Lee Van Buren, que traz László para um projeto de construção de um centro comunitário em homenagem à sua falecida esposa.
Enquanto busca essa nova oportunidade, László continua enfrentando uma série de problemas pessoais, como suas próprias lutas contra o vício; e conflitos artísticos, ideológicos e, às vezes, pessoais com a família Van Buren, que só parecem se intensificar à medida que ele se reconecta com sua esposa depois que ela finalmente chega aos EUA.
“O Brutalista” é filmado através de um filtro altamente realista, tanto artisticamente quanto literalmente falando. A longa duração do filme é usada de forma muito inteligente: boa parte das cenas são bem estáticas e esticadas, e usam mínima edição para nos permitir sentir o peso e o drama de cada ação, de modo que conforme a história avança e nos aproximamos do fim, as edições se tornam mais rápidas e as cenas mais curtas, aumentando a tensão e o drama nos momentos em que a história começa a ficar ainda mais densa. Tudo isso envolto em uma trilha sonora assustadora cria um efeito que é, por falta de uma palavra melhor, brutal.
Essa é uma história sobre a experiência do imigrante e a dissonância entre o sonho americano e a realidade de perseguir esse sonho, mas também é sobre um artista tentando criar algo de valor em uma situação em que encontrar valor para o mundo é cada vez mais difícil. O título é, claro, uma referência ao estilo de arquitetura em que László é especialista, o que é significativo, porque também é uma referência à sua situação e aos muitos desafios que ele enfrenta.
À medida que László se envolve mais no projeto, e mais imerso na rotina daquela família, ele se torna mais obcecado, mais violento, e mais impaciente, tudo isso buscando por uma satisfação que, no fim das contas, não vem.
No começo, László não é nada além de simpático e altruísta. No início do filme há uma cena que o mostra demonstrando simpatia por uma criança faminta em uma fila para comida, onde ele faz amizade com outras pessoas em situação semelhante à dele. No final, ele repreende e desumaniza seus trabalhadores e as pessoas que o acompanham no projeto.
Ele rapidamente descobre que sempre será um “outsider”, e a perseguição será uma constante em sua vida por onde quer que ele passe, mas a essa altura, é tarde demais. Por mais importante que seja sua arte, no fim das contas, ela não o salva.
O epílogo do filme se passa décadas no futuro e mostra László participando de uma retrospectiva de seu trabalho, onde sua sobrinha está fazendo um discurso. Ela fala sobre a história de László como imigrante e sobrevivente do holocausto e o quão importante isso é para sua arte, e como somos melhores por causa disso. Isso é colocado propositalmente para nos fazer refletir se a arte é de fato suficiente, e se vale a pena o sofrimento. Um conceito poderoso e impactante, especialmente para um filme que está recebendo tanto reconhecimento da academia cinematográfica que adora recompensar histórias sobre o poder transformador inequívoco da arte.
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