Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha



Por Tomás Gimenes

“Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha” finalmente chegou ao Disney Plus. Depois de quase 20 anos, finalmente temos uma história animada do Homem-Aranha para a nova geração, uma que seja diversa, criativa e cumpra o que é necessário para fazer uma boa história do Homem-Aranha: ela expande o mito do personagem, e traz novos elementos, se diferenciando o suficiente de outras histórias que já vimos, mas mantendo todos os elementos principais que são essenciais para o personagem.

O essencial você já sabe: a história segue Peter Parker, um estudante do ensino médio que mora com sua tia, que ajudou a lhe criar junto com seu tio, recentemente falecido. No seu primeiro dia em uma nova escola, um acidente intergaláctico acaba dando a Peter superpoderes, Peter precisa aprender a conciliar as responsabilidades de um super-herói com sua vida pessoal, que inclui sua amizade com a engraçada e misteriosa Nico Minoru, e com Pearl Pangan, seu interesse romântico, e seu novo emprego na Oscorp, um mega conglomerado administrado por ninguém menos que o brilhante, porém dúbio Norman Osborn.

“Seu Amigão da Vizinhança” foi originalmente concebida como um preludio para as histórias do Homem-Aranha do UCM, mas acabou sendo reimaginada para caber em um universo próprio. Alguns aspectos da história do Homem-Aranha do UCM permanecem nesta versão, como a decisão de começar esta história após a morte do Tio Ben, dissociando esse acontecimento da origem direta do Homem-Aranha. Assim, em vez da lição de Peter sobre poder e responsabilidade ser o catalisador para ele se tornar um herói, o que vemos é o contrário: é uma lição que ele aprende através de seu heroísmo e de seus valores.

A lição de Peter sobre responsabilidade surge de forma mais direta de um jeito diferente: na forma do personagem Norman Osborn, que cumpre o papel de mentor de Peter como aluno e herói. Ao tentar encorajar Peter a atingir seu potencial máximo, ele estabelece uma conexão não entre poder e responsabilidade, mas entre poder e respeito, uma noção que está muito em sintonia com o personagem de Norman e que a narrativa, e por extensão Peter, desafiará conforme sua jornada avança.

A decisão de separar a série do UCM deixou os showrunners livres para trilhar um caminho próprio e usar quaisquer personagens que quisessem, não apenas da tradição do Homem-Aranha, mas dos quadrinhos da Marvel em geral. Alguns personagens, como Nico Minoru e Pearl Pangan, que têm suas próprias aventuras de super-heróis nos quadrinhos, têm suas origens ligeiramente alteradas para se encaixar na história, mas são desenvolvidas o suficiente para que, não apenas se encaixem perfeitamente em seu novo ambiente, dentro do universo do Miranha, mas tenham características comuns o suficiente com suas contrapartes dos quadrinhos para nos manter imaginando o quão semelhantes seus caminhos vão ser.

Personagens bem conhecidos diretamente ligados ao Homem-Aranha também têm origens e motivações ligeiramente diferentes do que a maioria dos fãs está acostumada, para se encaixar melhor na trama, mas ainda assim se mantém fiéis às raízes desses personagens, como McGargan, também conhecido como Escorpião, que nesta série é um líder de gangue implacável, cujo traje é feito por ninguém menos que Otto Octavius, que nesta gersão é um fabricante de armas para supervilões, que tem uma história competitiva com Norman Osborn e cuja queda está conectada aos acordos de Sokovia, que estão em movimento durante os eventos da história e, embora não seja um dos enredos principais, ainda são o catalisador para muitos eventos importantes na série.

Mas nenhum personagem foi tão brilhantemente reimaginado para esta série quanto Lonnie Lincoln, que nesta versão é um colega de classe de Peter Parker. Acompanhamos de perto as muitas dificuldades que Lonnie tem que suportar, como sua vida doméstica e os preconceitos que ele enfrenta, que aumentam a pressão para que ele tenha sucesso na escola, tornando-o um personagem que o público quer torcer, e não quer ver seguir o mesmo caminho que sua contraparte dos quadrinhos.

Como todas as boas histórias do Homem-Aranha a pedra angular da série são os momentos honestos e emocionais, como a cena em que Peter desmorona nos braços de sua tia May, e desabafa sobre seu sentimento de inadequação por não ser capaz de equilibrar todos os elementos de sua vida, e como ele sente que está decepcionando seus amigos, mentores e as pessoas que jurou proteger, tanto como Peter quanto como Homem-Aranha. Esta versão do relacionamento entre Peter e May é uma das mais íntimas e emocionalmente poderosas que vimos em anos.

Em termos de produção, esta é uma série maravilhosamente trabalhada no geral; contém um design de animação incrível, baseado no estilo de arte old school de Steve Ditko; não necessariamente inovador no nível "Aranhaverso", mas lindamente feito de qualquer maneira. Sem mencionar o elenco, que inclui nomes como Colman Domingo como Norman Osborn e o retorno de Charlie Cox como Demolidor.

Todos os episódios da primeira temporada de “Seu Amigão da Vizinhança Homem-Aranha” estão disponíveis no Disney Plus.

Nota: 4,5.

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