Wallace & Gromit: Avengança
Por Tomás Gimenes
Depois de quase duas décadas, uma das duplas mais queridas da história do cinema britânico está finalmente de volta para outro longa-metragem. Desde seu primeiro curta-metragem em 1989, Wallace e Gromit conquistaram muitos corações ao redor do mundo e deixaram sua marca na história cinematográfica.
Agora, neste novo filme indicado ao Oscar, “Wallace e Gromit: Avengança”, prova que a dinâmica entre o carismático e sempre bem-intencionado, mas frequentemente atrapalhado inventor Wallace, e seu melhor amigo, o inteligente, sempre fiel, quase sempre muito sério, mas muito engenhoso cão Gromit, continua tão fresco, gracioso e divertido como sempre.
Gromit começa a ficar preocupado quando Wallace começa a se envolver com suas invenções ao ponto de ficar dependente demais delas. Ele tem um avanço bem-sucedido com a invenção do "Norbot", um robô Gnomo projetado para ajudar nas tarefas domésticas. Mas o grupo verá essa dependência excessiva da tecnologia começar a sair pela culatra quando o "Norbot" se torna um peão no plano mestre de ninguém menos que o notório supervilão Feathers McGraw.
O vilão que fez sua estreia no curta-metragem "The Wrong Trousers" de 1993, retorna para completar a tarefa que Wallace e Gromit o impediram de completar: roubar o famoso Diamante Azul do museu da cidade.
O filme consegue levar a tradição de Wallace e Gromit a serviço de uma discussão que é muito pertinente em nossos tempos: o avanço da tecnologia e suas consequências. A narrativa serve como um conto de advertência do que pode acontecer quando perdemos o foco e deixamos a tecnologia nos guiar, em vez de guiá-la, e diminui aquela falsa sensação de segurança que ela nos traz.
Não é necessariamente um manifesto antitecnologia, em vez disso, aponta para um meio termo saudável onde nossa tecnologia é reservada apenas para o essencial. E na era em que a inteligência artificial e sua interferência na arte cria muitas discussões ao redor do mundo, essa questão sendo abordada em um filme de animação stop motion, onde a ação é criada à mão, é extremamente importante e lindamente poética.
E com isso, inadvertidamente, cria uma história que também fala sobre a importância da conexão humana, já que o cerne da história, não apenas deste filme, mas da franquia como um todo, é a pureza do vínculo sagrado entre um homem e seu cachorro.
Duas notas importantes:
- Talvez algumas pessoas achem isso exagerado, mas acredito que Feathers McGraw tem todos os ingredientes de um personagem que pode se juntar às fileiras de Darth Vader e o T-1000 como um dos maiores vilões do cinema de todos os tempos: ele é estoico, sério, intimidador e uma mente brilhantemente maligna. Tudo sobre sua fuga da prisão, desde ele confiantemente esperando por seu submarino enquanto acaricia uma foca, até a maneira sinistra que ele vira o rosto quando sente que Gromit o está observando.
- “Wallace e Gromit” como franquia continua a ser magistral na criação de bons trocadilhos. O trocadilho “boot/reboot” no final (não posso falar muito, é spoiler) e Gromit lendo um livro de Virginia “Woof” são apenas alguns dos destaques.
Nota: 4,0.

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