Pecadores
Por Ricardo Hasegawa
Está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, o filme “Pecadores” que conta a história de uma cidade localizada no Mississippi durante o ano de 1930, na qual os dois irmãos, o Smoke e Stack, decidem abrir um Juke Joint, e que durante a noite de abertura acontecem uns eventos estranhos que mudará a vida de todos.
O filme tem a direção e roteiro do Ryan Coogler, que também é responsável pelas obras como, Creed: Nascido Para Lutar, Pantera Negra, Fruitvale Station: A Última Parada, Creed III, entre outros.
O filme é uma mistura de ideias, como, uma abordagem aos vampiros, um pouco sobre a máfia, como também a luta contra o racismo e sobre a cultura do esquecimento com o passar do tempo.
A máfia é talvez a menor aproveitada, pois temos somente a menção de que os irmãos faziam parte da máfia de Chicago e saíram de lá porque roubaram parte do lucro para abrir o próprio negócio.
Os vampiros é o tema principal, pois é o que faz o filme girar, pois são eles que tentarão dominar o mundo, mas primeiro irão tentar fazer com que as pessoas do Juke Joint sejam os primeiros a serem transformados. A seguir também a mensagem subliminar sobre a mordida dos vampiros, que representa as pessoas brancas que sugam os negros, sendo o primeiro a força e a segunda sobre a cultura, que vai desde esta epoca até atualmente.
A questão racial é sobre o racismo em si nos Estados Unidos durante a questão segregacionista de 1930, impostas pela Lei Jim Crow e por parte da KKK. Por isto o clube é feito, para tentar representar o lugar em que eles eram verdadeiramente livres, mesmo que por pouco tempo.
Outra parte totalmente importante é sobre a música, no mais sobre o Blues, principalmente sobre ser a força motriz, pois é com ela que tudo é ligado. Ela mostra que a música é capaz de fazer a ligação entre o passado, presente e futuro, fazendo com que o vampiro quisesse absorver eles para conseguir ver outras pessoas através da música.
Temos esta mistura da música com danças e épocas diferentes, como danças tradicionais e até danças irlandesas, além de mostrar o avanço no estilo.
Já a atuação é outra coisa sensacional, com todos os personagens sendo muito bem representados e legais. O que torna mais especial são dois em questão, primeiro o Michael B. Jordan, que está esplêndido nos dois personagens, ainda mais porque nestes casos os atores nunca conseguem deixar os dois personagens num mesmo tom, e aqui ele faz o contrário, dando importância e holofote para os dois.
O outro é sobre o Miles Caton, que também está esplêndido, ainda mais se você pensar que é o primeiro trabalho dele como ator. Ainda mais se pensarmos que ele está representando um músico de Blues, que tem tanta dor em suas músicas que consegue tocar a alma de quem escuta.
Já a direção de Ryan Coogler é outra coisa que deve ser discutida, pois ele mostra que está no comando de tudo. Vemos que ele consegue se inserir no movimento de Surrealismo Negro, se juntando a Jordan Peele e Kendrick Lamar, além de obras como, Atlanta e Random Acts of Flyness.
Seu único ponto contra é sobre o roteiro, no pesar sobre a questão do vampirismo, que é muito clichê para um filme extremamente bem montado.
Nota: 4,5.

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