Steve (2025)

 




Por Ricardo Hasegawa


O filme Steve retrata a história sobre um centro estudantil para garotos com dificuldades comportamentais e sociais. Nela vemos a visão do diretor, Steve, que tenta tomar conta do lugar em meio ao tremendo caos que está passando, com o desenvolvimento dos alunos, ao meio comercial, onde a fundação que ajudava, agora vende o terreno e todos são obrigados a sair e também a pressão política que ronda o lugar, em meio a discussão se vale a pena o governo investir no lugar.

O filme tem a direção de Tim Mielants, o mesmo de obras como, Pequenas Coisas Como Estas, Caminhos da Sobrevivência, De Patrick, entre outros. No roteiro temos o Max Porter, o mesmo de obras como, The Thing With Feathers, All of This Unreal Time, além de ser o criador do livro, Shy, que é usado como fonte para o filme.

O longa tem uma trama muito interessante, pois mostra uma escola interna, para garotos, mas com o diferencial de ser exclusiva para o tratamento de adolescentes com desafios comportamentais e sociais, mas que agora foi vendida e o diretor e todo o grupo psicológico tem de tratar de se despedir de tudo.

Ela mostra também como cada aluno é extremamente diferente de outro, se tornando especiais para os professores, mesmo que em muitas vezes eles causam vários problemas, mas que às vezes quando unidos, tornam os momentos bem legais.

Também temos a visão de quanto o Steve está no seu limite e a beira de um colapso nervoso, pois tem aquele desejo de querer carregar todas as funções de diretor e professor, além de também ser o administrador e agora responsável de transmitir a notícia de que a escola irá ser fechada, além disto temos o sentimento de culpa que ele carrega pela morte de uma pessoa, na qual ele foi o seu responsável. Tudo isto só mostra o quanto ele está rumando para o colapso, pois não está aguentando a rotina, mostrando que está desenvolvendo até um problema com bebidas.

Ele também carrega um sentimento que ele só descobre depois de um tempo, com o avanço nas conversas com Shy, de que ele sente que ajuda alguém, mas na verdade ele só escuta as pessoas.

O filme faz também duras críticas a várias coisas, como a imprensa que busca somente o sensacionalismo, que vendo a oportunidade de ganhar alguma coisa não perde ela, por isso ela somente atrapalha quando devia ajudar a escola.

As fundações mostram a sua falsidade, fazendo ao contrário de tudo o que era para ser o verdadeiro motivo dela, mostrando que elas não ligam para a causa de verdade, ligam somente para a oportunidade de lucro.

Vemos o Governo também fazendo sua parte, mas no caso negativo, pois não valorizam os professores, gerando somente conversa e promessas para melhorar a sociedade, mas que na verdade só tem interesse na sua reeleição.

No final uma das críticas que mais merecem ser feitas é com base na educação, na qual mostram a questão do sucateamento dos professores, que mostra a desvalorização profissional, precarização do trabalho, baixos salários e más condições de trabalho, corroborando para tudo o que os professores (Steve e outros) sofrem durante o filme, como o adoecimento físico e mental e a escassez de profissionais qualificados.

Já os pontos contras contam com o roteiro, que em parte esqueça dos personagens, muito por causa dos alunos, pois como todos são diferentes dava para abordar cada um de uma maneira melhor, com sua profundidade. Além dos personagens, eles também se esqueçam de se aprofundar um pouco mais em temas que foram iniciados, mas que não tem conclusão, deixando a coisa bem rasa.

Por fim temos alguns diálogos que foram colocados fora de ritmo, deixando a cena meio esquisita, dando a entender que não era para estar ali.

Outra característica é o seu jogo de câmera, que no começo é muito bom, mostrando ela tremendo com cortes abruptos, mostrando como é o funcionamento do lugar, tudo sempre caótico, com muita correria e barulho, mas que eles exageram nisso na sua repetição na exaustão do método, deixando o filme inteiro assim, ficando cansativo em certo ponto.

O fica de tudo é a mensagem clara sobre o quanto a saúde mental, de professores e pessoas com dificuldades devem ser tomadas como importantes e debatidas, pois isto gera um efeito cascata, que pode afetar toda uma comunidade.


Nota: 4,0.

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