Chicago
Por Tomás Gimenes
Há 23 anos, “Chicago” estreou na cidade de Nova York. Ambientado durante a infame era do jazz, "onde o gim é frio, mas o piano é quente", o filme acompanha Roxie Hart, uma mulher com grandes ambições, mas sem um rumo claro, que finalmente tem sua chance em seus 15 minutos de fama depois de ser presa pelo marido por assassinar seu amante (supostamente, é claro). Enquanto aproveita toda a atenção por ser a criminosa mais badalada da cidade, sua vida toma rumos ainda mais inesperados após se envolver com Velma Kelly, uma artista de vaudeville também presa, e com o advogado Billy Flynn, um advogado dissimulado que entende muito de imagem.
"Chicago" é um olhar delicioso sobre um mundo repleto de ganância, corrupção, cultura de celebridades e todos os tipos de crimes, com um humor ácido e sarcástico. É o filme que colocou Rob Marshall no mapa e no panteão dos grandes diretores de musicais. Marshall tinha uma vasta experiência no teatro antes de embarcar neste projeto, que, surpreendentemente, é seu primeiro filme. É por isso que ele demonstra um domínio tão forte tanto da linguagem cinematográfica quanto da teatral, navegando por ambas com quase perfeição.
Cada cena musical nos transporta para um mundo de fantasia que se desenrola de forma muito expressiva no subconsciente dos personagens, o que nos ajuda a entender como eles se veem e como gostariam que o mundo ao nosso redor fosse. Um contraste muito claro com esse mundo real, não teatral, e isso é perceptível no enquadramento, na cinematografia e na edição; tudo funciona em perfeita harmonia para nos ajudar a viajar por esses mundos. Esse contraste nos cativa e proporciona uma experiência emocional.
"Chicago" ganhou vida pelas mãos da mundialmente famosa dupla de compositores Kander e Ebb, com a colaboração de ninguém menos que Bob Fosse. A produção original ficou em cartaz por pouco mais de dois anos, enquanto sua remontagem de 1996 na Broadway continua em cartaz até hoje. Para muitas pessoas, mesmo fãs do musical, pode ser um mistério o porquê de "Chicago" ter feito tanto sucesso na Broadway, considerando como ele abraça a natureza cínica de sua história em um gênero que preza pela sinceridade e sentimentalismo excessivos. Mas quando vemos a história contada através de uma linguagem cinematográfica, entendemos por que o espetáculo funciona tão bem. A maneira como Rob Marshall constrói uma cena em que Billy Flynn conta uma piada sobre uma mulher que flagra o marido a traindo, e essa cena é subvertida com Kitty Baxter assassinando o marido, é apenas um exemplo de como o filme navega pelos tons com maestria.
Há tantos ângulos que te atraem no filme. Seja pelo elenco impecável, que reúne a química inegável de Renée Zellweger e Catherine Zeta-Jones, a incrível presença de Queen Latifah como Mama Morton e a atuação cativante de John C. Reilly como "Sr. Celofane" Amos Hart, ou a icônica sequência de "Hot Honey Rag/Nowadays", Chicago é uma experiência cinematográfica que te convida e te permite se deleitar em sua ousadia, fazendo você se sentir como um rebelde de outra época, torcendo pelo poder do álcool, do jazz e do assassinato dos homens em sua vida para causar uma ruptura social.
Nota: 5,0.

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