Foi Apenas Um Acidente
Por Ricardo Hasegawa
Neste novo filme de Jafar Panahi, o Foi Apenas um Acidente, temos mais uma obra que ele desenvolve suas críticas ao seu país, com seu autoritarismo e perseguição aos seus cidadãos.
Aqui temos um grupo de pessoas que por acaso conseguem capturar seu torturador de tempos atrás, quando ainda lutavam contra as injustiças sociais que sofriam. Agora mesmo com ele capturado eles não sabem ao certo o que fazer com o sujeito, pois não conseguiram ver o rosto do criminoso, vendo somente algumas características, como sua perna que era de madeira, suas cicatrizes e o cheiro do seu suor.
O filme tem a direção e roteiro de Jafar Panahi, o mesmo que assina obras como, Sem Ursos, Hidden, The Witness, Táxi Teerã, entre outros.
O filme tem na sua história uma mistura de vários temas, como, vingança, perdão, superação, violência e guerra, além de outros. Vale lembrar que ele também toca em temas muito sensíveis como, tortura, seja físico ou mental. Por isso é bom lembrar antes de assistir.
Ele reúne um grupo muito interessante de personagens, na qual cada um tem uma personalidade diferente do outro, com um sendo mais pacifista, trabalhadores comuns e guerrilheiros, mas que todos são apoiadores da causa contra o autoritarismo e pelo bem dos cidadãos, além do que os une é sua vontade de vingança contra o torturador.
Uma das características que a trama aborda é sobre o ciclo da violência, pois eles abordam esta vingança contra o torturador, na qual o dilema deles é se devem fazer o mesmo que fizeram com eles.
Agora a característica que mais marcou é sobre as críticas que são feitas ao Irã, algo que já rendeu inúmeros problemas a Jafar. Aqui ele aborda a política do país, que é regido por uma única mão, o Rahbar, chefe religioso.
Temos um regime totalmente autoritário, com sua forte repressão aos seus dissidentes e a mídia, indo de força bruta a prisões. Outro fator é sobre ser retrógrado em relação às mulheres, que tem em seu regime códigos de vestimenta obrigatórios, além do testemunho valer metade do de um homem num júri.
Além de tudo isto, o filme tem duas curiosidades, como o fato de ser uma produção praticamente clandestina, por causa do diretor, que não é bem quisto pelos governantes do país, pelo fato dele mostrar a verdadeira face, então por isto as filmagens tiveram que ser feitas muito rápido e com um número menor na produção. Além disto toda a sound design foi produzida pelas inspirações próprias do diretor, enquanto este estava preso e sofrendo dentro da prisão.
O filme consegue passar duas mensagens, uma sendo que ele é capaz de focar através dessa experiências do quão traumático foi sua prisão e canalizar no foco sensorial, em não saber reconhecer o rosto do seu agressor, mas saber somente alguns detalhes dele.
A outra é também fazer o alerta sobre os perigos que as pessoas estão correndo em países autoritários, pois podem ser presos a qualquer momento sem motivo algum.
Nota: 5,0.

Comentários
Postar um comentário