Marty Supreme



Por Tomás Gimenes

“Marty Supreme” é uma aula magistral de subversão de expectativas. O filme começa com um ritmo contido e se concentra principalmente nas ambições atléticas de Marty e em sua jornada até a final do campeonato de tênis de mesa. A sequência é apresentada de uma forma que parece quase uma ode ao excepcionalismo americano; à ambição de ser maior do que qualquer outra nação e, claro, ter um talento especial para negócios e autopromoção (a poesia do conceito da bola personalizada de Marty, com os dizeres “Marty Supreme: Feito na América”, é um belo detalhe).
Eventualmente, o filme começa a se transformar em algo diferente. Ele ganha um novo ritmo à medida que nos aproximamos de Marty, sua vida, seus relacionamentos e sua personalidade. E enquanto o acompanhamos em uma série de planos para realizar seus sonhos, começamos a presenciar uma turbulência de eventos, cada um mais angustiante do que o outro. Uma aventura de subir os nervos que você não consegue evitar querer repetir.
E à medida que nos aprofundamos na personagem de Marty, esse conceito de excepcionalismo americano começa a ser desconstruído de uma forma verdadeiramente "scorsesiana". Vemos Marty pregando peças nas pessoas para conseguir dinheiro, mentindo e trapaceando para obter oportunidades. É a típica história do gênio arrogante e bem-sucedido, que é capaz de conquistar tudo na base da própria astucia e carisma, mas contada de uma forma tão bem elaborada e dinâmica que faz o público passar de envolvido pela persona dele à frustração com o nível de destruição e caos que sua mera presença traz.
Este é um tipo de filme ancorado em seu personagem principal. A dinamicidade de Marty Mauser é o que dita toda a estrutura, ritmo e escala do filme. Mauser é o agente do caos de sua própria história. O ator que incorpora esse personagem deve ser capaz de incorporar essa qualidade, e Timothée Chalamet faz exatamente isso. Ele demonstra sua versatilidade de uma forma inédita, e isso evoca todas as emoções que você deve sentir.
A cena final do filme toca num ponto emocional especial, em grande parte porque os eventos provocam uma mudança emocional em Marty, permitindo que a narrativa se torne mais vulnerável. Depois de ter alcançado seu objetivo ao derrotar Endo, Marty retorna aos Estados Unidos, declara seu amor por Rachel e cai em lágrimas ao ver seu filho recém-nascido, seu momento mais catártico no filme. Essa abertura de margem permite algumas interpretações. Uma delas é que a realização de seus desejos permitiu que Marty se libertasse daquela motivação que causava tanta destruição dentro dele e agora ele está finalmente pronto para se concentrar nas coisas importantes da vida.

Nota: 4,5.

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