A Única Saída
Por Tomás Gimenes
Inspirado no livro estadunidense “The Ax”, de Donald Westlake, “A Única Saída” acompanha Yoo Man-Su, funcionário de longa data da empresa de papel “Solar Power”, que você uma vida luxuosa e confortável com sua esposa e dois filhos na sua casa de infância que realizou o sonho de comprar.
Depois que uma empresa estadunidense compra a Solar Power, Man-Su é mandado embora, junto com vários outros funcionários da empresa. Sem conseguir outro emprego, ele vê seu estilo de vida ameaçado, correndo o risco de perder tudo pelo que lutou para conquistar. Sem alternativas, Man-Su decide tomar medidas drásticas e traçar um plano audacioso: eliminar (literalmente) a sua concorrência para conseguir o emprego cobiçado.
“A Única Saída” possui todas as marcas tradicionais do estilo cinematográfico de Park Chan-Wook, do seu uso de ação e violência explicita, à construção do suspense da trama. Mas, indo de contraponto ao que se espera de um filme tradicional do cineasta, este filme segue uma linha cômica muito mais atenuada. O filme é basicamente uma comédia de humor negro, que se aproveita do absurdo da trama e desenvolve os personagens muito bem para caberem neste molde.
É muito interessante a forma como Chan-Wook adapta a trama do romance, o trazendo não só para um contexto atual, visto que foi publicado a quase 30 anos, mas também para um outro contexto cultural. Essa nova versão da trama traz um interessante componente social, pois não só reflete um pouco de como o centralismo norte-americano impacta as outras economias, mas também sobre como a alta mecanização das indústrias afeta a vida dos trabalhadores, o que é mais relevante do que nunca na era do avanço da I.A.
E ao final da trama, quando encaramos as consequências das ações de Man-Su, vemos o quão desolador pode ser quando o meio corporativo se torna, literalmente, menos humano.
“A Única Saída” está em cinemas de todo país.
Nota: 4,5.

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