Uma Batalha Após a Outra
Por Ricardo Hasegawa
Estamos numa batalha contra o sistema, assim como no filme, “Uma Batalha Após a Outra", mostrando tudo o que acontece quando um grupo ousa enfrentar o sistema em prol de ajuda a minorias. Temos o entorno de Bob, um dos guerrilheiros que vê sua esposa ser capturada pelo governo e ele tem de fugir e recomeçar a sua vida agora com a filha, Charlene.
Em meio a tudo isto, o antigo Coronel Steven J. Lockjaw que teve um passado com Perfídia também retorna para apagar os ‘erros’ do passado, em relação a Charlene. Para isto uma força tarefa é lançada e pai e filha se desencontram e agora lutam pela sobrevivência enquanto informações do passado vem à tona.
O filme é uma nova obra do Paul Thomas Anderson, que aqui dirige e roteiriza, ele que também assina obras como, Licorice Pizza, Trama Fantasma, O Mestre, Sangue Negro, entre outros. Lembrando que o filme é baseado no livro, Vineland, escrito por Thomas Pynchon.
O filme tem uma história muito interessante, pois ela consegue misturar amor, luto, sacrifício, crítica social e conspiração.
Temos uma história sobre o amor junto com o luto que envolve o amor de pai para a filha, de Bob e Charlene, com ele tentando entender como criar uma menina sozinho, com todas as dificuldades da paternidade, além de ter que lidar que a qualquer momento algo pode acontecer com eles. O luto é sobre a perda da mãe, Perfidia, na qual afeta tanto o Bob quanto a Charlene, pois na visão do Bob, além de perder a mãe de sua filha, perdeu também a sua companheira de luta, tanto na guerra quanto no amor. Já pela Charlene, mesmo que nunca tenha conhecido, ela perde o laço de poder contar com alguém em quem contar, ainda mais vendo seu pai se perdendo ainda mais a cada dia.
Os sacrifícios que são feitos todos pela causa, ligados principalmente pelo grupo French 75, na qual os membros abdicam de praticamente tudo pela causa, pois também sabem que se não fizerem isto, quando descobertos todos correram perigo, até mesmo seus familiares que não tem nada haver com a causa.
Já suas críticas são muito atuais, como o encarceramento dos imigrantes, que ocorrem ao redor do mundo, mas que tem maior alcance do que ocorre nos EUA. Aliado a isto também temos as prisões sem mandado destes imigrantes e que na sua maioria das vezes é feito clandestinamente e com extrema brutalidade.
Outra crítica é sobre o extremo preconceito que ainda existe e permeia a sociedade, ainda mais com aqueles que no caso deveriam lutar contra esta atitude, sendo que o isto fica ainda pior com sua mensagem subliminar de que deve existir a raça pura.
Outro acerto do filme é na questão das atuações, que vem com todos sendo muito bem feitos, principalmente com o Leonardo DiCaprio, Sean Penn e a Chase Infiniti, que mesmo contracenando com outros grandes nomes consegue segurar o filme, mas quem rouba a cena é o Sean Penn, com seu coronel totalmente maluco.
A única coisa que pode ser um negativo é a sensação de que falta alguma conexão entre alguns eventos, deixando a impressão de que algo não está claro.
Mesmo com tudo isto o filme continua lindo, pois consegue passar uma mensagem e mexer com o público, afirmando que o amor de um pai consegue ultrapassar barreiras, mostrar que uma comunidade quando se torna única consegue fazer a diferença e que infelizmente ainda existem idiotas que acreditam em raça superior e que as pessoas devem ser divididas.
Nota: 4,5.

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