Arco
Por Tomás Gimenes
No ano de 2932, uma época em que a conexão entre a Terra e a humanidade foi completamente inovada graças ao nosso cuidado e planejamento coletivos, Arco-Dorell, de 10 anos, desobedece a seus pais para viajar no tempo e ver dinossauros, apenas para acabar acidentalmente aterrissando no ano de 2075, uma época em que robôs desempenham a maioria dos trabalhos essenciais e a inovação científica cobrou um preço imenso do planeta. Lá, ele conhece Iris, uma garota inteligente e sensível que sofre por ficar longe dos pais por longos períodos, enquanto ela e seu irmão caçula são cuidados pelo gentil robô cuidador Mikki.
“Arco” é uma aventura de ficção científica altamente imaginativa e colorida, além de uma história terna e emocionante sobre a amizade entre duas pessoas que vêm de linhas do tempo diferentes. Arco e Iris representam dois futuros possíveis diferentes para a humanidade: Arco vem de uma realidade onde o trabalho em equipe, a empatia e o planejamento criaram o melhor cenário possível para o planeta, enquanto a realidade de Iris é exatamente o oposto. Ainda assim, parte da razão para o vínculo entre eles é o fato de ambos terem uma inclinação para querer escapar de sua linha do tempo. Para Arco, é sua imaginação fértil e a ânsia por aventuras que o impulsionam a viajar no tempo escondido da família. Para Iris, é a sensação de solidão causada pela ausência dos pais que a leva a desejar uma realidade diferente. Essas representações mostram como as emoções das crianças podem ser complexas e profundas, e é extremamente valioso ver isso em um filme direcionado a elas.
Por meio dessa premissa de viagem no tempo e de todos os elementos de ficção científica que compõem a história, “Arco” levanta algumas questões importantes sobre destino e futuro e como isso se alinha com o espírito humano. O que acontece quando temos a oportunidade de saber o que será do nosso futuro? Devemos aproveitar essa oportunidade? O que muda em nossa percepção do mundo quando sabemos o que vem pela frente?
Além disso, o conceito de viagem no tempo também leva o filme a confrontar nossas próprias percepções sobre o que é passado e o que é futuro, o que é previsão e o que é memória, tudo isso apontando para a importância de conservar momentos e pensamentos preciosos na criação de algo valioso e significativo. O passado é o futuro. E vice-versa.
“Arco” traz um senso de estilo muito inovador, misturando tradições de animação americanas e japonesas para criar algo visualmente distinto e atraente, a serviço de uma história divertida, sensível e instigante.
Nota: 4,0.

Comentários
Postar um comentário