Azul é a Cor mais Quente
Por Ricardo Hasegawa
A Graphic Novel ‘Azul é a Cor Mais Quente’ conta a história de Emma, que volta do velório da sua parceira, Clementine, e agora está na casa de seus sogros lendo o diário que ela deixou endereçada a ela, contando todos os momentos importantes até o dia fatídico de sua morte.
A graphic novel é de autoria de Julie Maroh, que faz o roteiro e a arte e também assina outra graphic chamada Você Me Trouxe o Oceano. Ela foi publicada originalmente pela editora Glénat Éditions na França. Aqui no Brasil quem publica para o leitor é a editora Martins Fontes.
Ela com certeza pode ser consideradas também como uma das melhores histórias sobre amadurecimento e romance. Ela consegue mostrar o desenvolvimento das duas personagens, com Emma entendendo que seu antigo relacionamento não estava dando certo e que algumas atitudes não estavam condescendentes e por isso não daria certo, ao contrário do que acontecia com a Clementine, que as coisas eram muito fáceis de aceitar e tudo não se tornava um fardo. Já com a Clem, começa com ela se aceitando como pessoa o que acaba com seu medo e daí se abrir emocionalmente para a Emma.
Sua parte romântica se mostra muito fiel a realidade, com as situações sendo de fácil ou dificil de lidar, seja ela para qualquer pessoa, pois relacionamento é isto, em muitas vezes quando não conversado acaba se tornando um fardo e isto causa muita mágoa e danos irreversiveis.
Ela também mostra como pode ser dificil para uma pessoa se aceitar sexualmente, mostrando todos os caminhos que percorre com o tempo, caminhando até mesmo para os ‘amigos’ que as vezes não devem ser considerados com este título.
Isto se entrelaça com o quanto de preconceito ainda existe no mundo, que vai desde a relação com os pais, que varia de caso a caso, mas em alguns deles com eles não aceitando acabam até mesmo expulsando a pessoa de casa. Aos ditos amigos, que olham com desrespeito e nojo, e no caso, achando que é uma doença contagiosa.
Já em respeito ao luto, ele é tratado de uma forma não tão a fundo como os outros temas, mas ele nos mostra o modo de como nos lembramos das pessoas, o quanto foram os momentos, sejam eles felizes ou tristes, mas o que mais fica marcado é o quanto o tempo de vida é curto.
Já em relação a arte podemos afirmar que ela é linda, muito pelo seu traço, feito de uma maneira ‘simples’ mas que deixa tudo extremamente sensível ao seu tema.
O uso das cores se torna muito relevante, seja ela pelo seu contraste, que evidencia se é uma memória ou se é real, com as páginas em preto e branco sendo memórias enquanto as páginas coloridas são o tempo real.
O que chama a atenção mesmo é a relação entre o título Azul com as páginas, que mostra que Clementine muda de vida quando conhece a Emma, que tinha o cabelo azul, o que faz com que sua vida realmente transforme, mostrando em relevo todas as cores azul, que agora representa o amor que ela sente.
Tudo isto levanta duas questões que tenhamos que discutir, sobre o quando uma simples pessoa pode mudar simplesmente tudo na sua vida, e o quanto ainda estamos muito longe na questão sobre a aceitação da orientação sexual das outras pessoas e também sobre o seu acolhimento.
Nota: 4,0.

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